Decepcionante. O filme tem tudo para ser fantástico, como várias outras produções de Tim Burton, mas a estória base é curta, e ao invés de enriquecê-la com sua criatividade e fantastia, Tim Burton optou por usar os elementos do musical que deu origem ao filme. Talvez funcione no palco, mas no cinema perde muito.
Eu sou uma grande fã dos musicais hollywoodianos da década de 40 e 50, onde as músicas entravam em momentos propícios a elas, ou seja, onde o canto e a dança representavam algo que aquele personagem estava sentindo ou um momento pelo qual estava passando. As músicas e danças entravam com muita fluidez em cena: a noviça quando se sentia livre cantava e dançava; o ator apaixonado que, enlevado pelo triunfo do seu amor, dançava e cantava na chuva; o casal que dançava num clube enquanto ele cantava apaixonadamente para ela; a ira entre os grupos sociais diferentes; dentre vários outros exemplos.
Tal fuidez não acontece em Sweeney Todd. Ao invés de diálogos, temos um meio diálogo-meio canto. Cenas que poderiam ser cantadas não são, cenas que não deveriam ser cantadas são. Dessa vez Burton errou a mão, apesar de ter sido muito corajoso ao fazer uma incursão numa área que, cinematograficamente, não domina - musicais e de juntá-la com sua estética tão particular. Talvez para os amantes de um e de outro, seja exatamente este o motivo do desapontamento.
Claro que o restante do filme é muito bom: cenários, atores, figurino, maquiagem, fotografia, efeitos, que seguem o padrão Tim Burton de qualidade e fantasia. E como em todo bom filme de Tim Burton, ficamos com a dúvida se aquilo de fato que ocorreu (ou poderia ter ocorrido) ou se é pura fantasia do diretor.
Helena Boham Carter como sempre brilha com sua atuação. Johnny Depp por sua vez, está muito bom, como em todos os filmes que faz com o diretor. Mas é difícil dizer se esse é o papel que lhe dará o Oscar, já que o estilo fantasioso e soturno/mórbido de Tim Burton é muito presente na composição física do personagem. Claro que Depp é o queridinho de Hollywood atualmente, o que aumenta suas chances, principalmente se considerarmos que não ganhou por Jack Sparrow (Piratas do Caribe), seu melhor papel caricato até hoje, nem por Sir James Matthew Barrie (Em Busca da Terra do Nunca), o principal papel dramático não-caricato de sua filmografia. Mas talvez esse estilo soturno de Burton atrapalhe as chances de Depp, veremos no próximo dia 24.
Enfim, mesmo sendo fã de Tim Burton e de musicais, a junção dos dois não surtiu o efeito que eu esperava, tendo me desapontado bastante. Tomara que o DVD venha com a versão não musical do filme, porque sem canto, seria ótimo, mais uma obra-prima de Tim Burton.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Filmes do Carnaval - Os Oscarizáveis Parte 2
O outro filme que está concorrendo ao Oscar que eu vi durante o Carnaval foi Onde os Fracos Não tem Vez. O filme segue a estética dos irmãos Cohen: árido, passado num ambiente super inóspito, de deserto, pobreza, hotéis de beira de estrada. O desenrolar do filme é interessante, tem um quê forte de ação, apesar de um ritmo mais calmo, mas o fim deixa um pouco a desejar.
É claro que cinema é entretenimento e não tem obrigação de dar lições de moral, mas quando num filme (caso deste) prevalece a maldade e o lado ruim do ser humano, o espectador sai do cinema cabisbaixo, sem prazer, com uma sensação de estória incompleta, mal contada, com um amargo na boca e um aperto no coração. Onde os Fracos não tem Vez é um filme bem realizado, entretanto deixa o espectador desesperançoso quanto ao destino da humanidade.
Mas esse não é o único (de)mérito do filme: Javier Bardem, o atual queridinho do cinema, está fantástico como assassino psicopata que aposta a vida e a morte de suas vítimas em uma moeda. O que é aquele cabelo??? Vale o Oscar de Melhor Ator. Não sei se ganha porque o moçoilo é espanhol e não americano/inglês. Vamos torcer, ele merece.
Eu particularmente não gosto muito de filmes que me deixam sem esperança em meus pares humanos, mas esse filme vale a pena só por Bardem. Claro que vale também pela curiosidade do filme estar concorrendo ao Oscar de Melhor Filme, mas não acho que ganhe. É um filme muito duro, não sei se atende às exigências da Academia.
É claro que cinema é entretenimento e não tem obrigação de dar lições de moral, mas quando num filme (caso deste) prevalece a maldade e o lado ruim do ser humano, o espectador sai do cinema cabisbaixo, sem prazer, com uma sensação de estória incompleta, mal contada, com um amargo na boca e um aperto no coração. Onde os Fracos não tem Vez é um filme bem realizado, entretanto deixa o espectador desesperançoso quanto ao destino da humanidade.
Mas esse não é o único (de)mérito do filme: Javier Bardem, o atual queridinho do cinema, está fantástico como assassino psicopata que aposta a vida e a morte de suas vítimas em uma moeda. O que é aquele cabelo??? Vale o Oscar de Melhor Ator. Não sei se ganha porque o moçoilo é espanhol e não americano/inglês. Vamos torcer, ele merece.
Eu particularmente não gosto muito de filmes que me deixam sem esperança em meus pares humanos, mas esse filme vale a pena só por Bardem. Claro que vale também pela curiosidade do filme estar concorrendo ao Oscar de Melhor Filme, mas não acho que ganhe. É um filme muito duro, não sei se atende às exigências da Academia.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Filmes do Carnaval - Meu Nome Não é Johnny
Um filme correto, do início ao fim: bom roteiro, boa história afinal todos se interessam pela perdição de um jovem da classe média, boa montagem, bons atores, boa direção.
Sobre Selton Mello não precisamos dizer nada. O rapaz é um ótimo ator e tem uma forte atração por tipos estranhos e peculiares. João é mais um da safra peculiares de Selton Mello, que ele desempenha com primor e distanciamento necessários.
O filme é todo bom, todo bem feito, bem realizado, bem montado. Mas falta algo nele para transformá-lo no super sucesso de Tropa de Elite. Talvez um dinamismo, mais suspense? Ou será que falta sangue? Afinal a nossa cinematografia carioca ultimamente tem andado muito violenta e sanguinária. Se for isso, o cinema brasileiro, em particular o carioca está indo muito mal.
Que tal o próximo filme carioca ser sobre os cartões da Presidência????
Sobre Selton Mello não precisamos dizer nada. O rapaz é um ótimo ator e tem uma forte atração por tipos estranhos e peculiares. João é mais um da safra peculiares de Selton Mello, que ele desempenha com primor e distanciamento necessários.
O filme é todo bom, todo bem feito, bem realizado, bem montado. Mas falta algo nele para transformá-lo no super sucesso de Tropa de Elite. Talvez um dinamismo, mais suspense? Ou será que falta sangue? Afinal a nossa cinematografia carioca ultimamente tem andado muito violenta e sanguinária. Se for isso, o cinema brasileiro, em particular o carioca está indo muito mal.
Que tal o próximo filme carioca ser sobre os cartões da Presidência????
Filmes do Carnaval - Os Oscarizáveis Parte 1
Aproveitando o carnaval, resolvemo atualizar os filmes concorrentes ao Oscar deste ano. Começaremos com Conduta de Risco.
Bom, filme bom. Bem amarrado, com um bom roteiro, boa estrutura, onde o flashback é usado de forma adequada. Um excelente entretenimento, que deixa o espectador tenso durante o filme todo.
George Clooney está bem, mas precisamos tirar o chapéu para o Tom Wilkinson, que se ganhar o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante, será merecidíssimo! Ficamos mesmo na dúvida se o cara pirou ou não. Vale a pena ver. Acho que o filme tem chances de sair com o Oscar de Melhor Filme com sua temática de filme-denúncia sobre as falcatruas e a falta de ética das grandes empresas. Um filme atual, de denúncia, bem político, ao gosto de Clooney. Será que ele leva o Oscar de Melhor Ator? Isso tenho minhas dúvidas.
Bom, filme bom. Bem amarrado, com um bom roteiro, boa estrutura, onde o flashback é usado de forma adequada. Um excelente entretenimento, que deixa o espectador tenso durante o filme todo.
George Clooney está bem, mas precisamos tirar o chapéu para o Tom Wilkinson, que se ganhar o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante, será merecidíssimo! Ficamos mesmo na dúvida se o cara pirou ou não. Vale a pena ver. Acho que o filme tem chances de sair com o Oscar de Melhor Filme com sua temática de filme-denúncia sobre as falcatruas e a falta de ética das grandes empresas. Um filme atual, de denúncia, bem político, ao gosto de Clooney. Será que ele leva o Oscar de Melhor Ator? Isso tenho minhas dúvidas.
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