sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Queime Depois de Ler



Grande comédia de humor nigérrimo dos irmãos Coen. Hilariante! Mas tem que assistir com olhos de humor negro mesmo, senão a diversão acaba.

Todos os grandes atores do filme (John Malkovich, George Clooney, Tilda Swinton, Brad Pitt,
 Frances McDormand) estão ótimos. Malkovich continua com aquela pose insuportável, parece que sempre o escolhem para o mesmo tipo de papel. Clooney está engraçadíssimo como o ex-segurança, marido traidor que vários casos paralelos - a cena em que ele está sozinho na casa da amante é impagável! Brad Pitt fazendo o professor de ginástica, garotão e metido a esperto também está muito bem. Tilda e Frances estão maravilhosas, uma esposa insuportável a a outra em
 busca do amor da sua vida pela internet.

O roteiro é bom, uma história cheia de reviravoltas e acontecimentos inesperados. É a genialidade dos irmãos Coen voltada para o humor negro e satírico. 

O filme conta a história de várias pessoas que giram ou conhecem o personagem de Malkovich, ex-agente da CIA que resolve se vingar contra
 a Agência. Uns o conhecem, outros conhecem a mulher dele e outros trabalham na Academia de Ginástica por onde eles passam ou malham e onde é achado o CD contendo informações secretas da CIA. Ao achar o CD, Pitt e McDormand resolvem chantagear o dono do CD e usam seus dotes bandidos na empreitada. Claro que eles se dão mal nessa história e Brad Pitt com aquela cara de príncipe encantado, se fazendo de bandido é hilário (notem como ele fecha os olhos quando encontra Malkovich).

São inúmeros erros daqueles personagens que nos dão este filme engraçadíssimo. Vale a pena ver.

Match Point


Mach Point é Woody Allen em seu explendor como diretor e roteirista. Tem o ritmo Woody, racional, sem ações muito intensas, mas é um roteiro fantástico. A trama é muito interessante e nos faz refletir sobre as aspirações das pessoas e até onde elas vão por suas ambições.

Match Point conta a história de Chris, fracassado tenista profissional, a quem faltava talento e dedicação no tênis que se envolve com família milionária inglesa. Chris começa como amigo do filho, casa com a filha e entra para a empresa. Só que logo no início do envolvimento dele com a família, ele conhece a namorada do amigo rico: uma americana, aspirante a atriz, por quem Chris cai perdidamente de paixão. Nada o impede de estreitar seus vínculos com a família milionária (o casamento, o trabalho) até que Nola engravida... e aí...

É um dos melhores filmes do diretor nova iorquino. Já ouvi isso algumas vezes e vou repetir aqui, pois sou obrigada a admitir que há uma parcela de realidade: parece que os melhores filmes de Woody Allen são os que ele é só diretor e não trabalha como ator.

Os amantes do diretor vão adora. Espero que os demais gostem.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Escrito nas Estrelas


O filme Escrito nas Estrelas se chama Serendipity em inglês. Essa palavra significa descobrir/encontrar por acaso algo que seja bom, principalmente quando se está procurando por algo completamente diferente.

O filme mostra o encontro de um homem e uma mulher, que procuram presentes de natal para seus respectivos namorados. E ao se conhecer percebem o quanto são parecidos e que podem ser almas gêmeas. Entretanto ela resolve entregar tudo nas mãos do destino (eta mulher supersticiosa). Os anos passam e eles não voltam a se encontrar. Até que o destino resolve ajudá-los (ou não)...

Partindo de uma idéia meio mística os roteiristas conseguiram criar um enredo agradável. Ao juntar um bom diretor, John Cusack e Kate Beckinale, foi feito um filme muito simpático. Não seria uma comédia romântica, e sim um romance.

Gostoso de ver e despretencioso. Vale o aluguel do DVD naqueles dias de tranquilidade e romance.

Alta Sociedade - High Society


Como alguns leitores sabem, sou apaixonada pelos antigos musicais de Hollywood e Alta Sociedade é um dos meus favoritos.

O filme retrata os dias anteriores ao casamento de uma ricaça americana e as relações da imprensa com os ricos. Apesar de ser um doce musical, cheio de momentos românticos, com a presença e as belas vozes de Frank Sinatra e Bing Crosby, o filme faz uma crítica à forma como a imprensa encara, retrata e invade a vida das pessoas da alta sociedade. E muitas vezes, como as pessoas em evidência usam essas revistas para aparecerem.

É também o último filme de Grace Kelly, lindíssima, antes de se casar com o Príncipe de Mônaco.

Uma bela produção, com músicas deliciosas de Cole Porter, interpretada por dois dos maiores cantores das telonas - Sinatra e Crosby. Prato cheio para os amantes do velho cinemão americano.

Adeus, Lênin


Adeus, Lênin é um dos principais filmes da retomada do cinema alemão. É um belo filme, que retrata a queda do muro de Berlim, sob a ótica dos alemães do lado oriental do muro.

O filme pretende ser uma comédia dramática, porém se perde um pouco já que a distinção entre comédia e drama é muito sutil. Não há um equilíbrio entre estes dois aspectos e o drama acaba se sobressaindo.

É um bonito filme, nos dá uma apresentação do que foi a realidade da nova Alemanha unificada e das dificuldades que o povo alemão passou ao se unir em um único país. Apesar dos inegáveis avanços do capitalismo, houve um choque cultural entre os alemães ocidentais e os alemães orientais e o filme retrata esse isolacionismo nos países da cortina de ferro em relação ao resto do mundo muito bem.

A Duquesa


O filme reconta a história de Giorgiana Spencer, duquesa de Devonshire. Keira Knightley está bem no papel, sem cacoetes. Ralph Fiennes, como sempre, muito bem, especialmente em seus papéis de vilão.

A vida da duquesa foi muito infeliz, comandada pelas obrigações políticas de um casamento arranjado.

A Duquesa é uma belíssima reconstrução de época, o figurino, os cenários e as locações são fantásticas. Os atores estão todos bem, porém o ritmo um tanto quanto arrastado, deixa a desejar. Como o filme não mergulha profundamente nos dramas internos de cada personagem, fica difícil manter a atenção do público.

É um bonito filme, mas não há necessidade de vê-lo no cinema. Talvez o DVD seja mais apropriado.

Letra e Música


Rever os filmes de algum tempo atrás é muito bom, especialmente quando o filme tem um ótimo argumento, totalmente voltado para a nossa geração.

Letra e Música é uma comédia romântica, onde Hugh Grant (hilário) faz um cantor decadente que nos anos 80 era integrante de uma famosa banda pop. Essa banda se desintegrou em determinado momento e a carreira dele desmoronou. O cantor vive no passado, fazendo shows para reuniões de trintões/quarentões e em feiras, até que recebe a aparente impossível missão de escrever uma nova canção para Cora, a mega cantora pop dos anos 2000.

Seu forte é a música e harmonia e ele tem imensa dificuldade com letras e enquanto está tentando fazer uma parceria com um letrista indicado, descobre que sua "plant girl" é uma letrista nata. Até convencê-la disso e conseguirem fazer a música, eles passam por bons bocados juntos. As situações são engraçadíssimas, a decadência dele é o que todos imaginamos daqueles nossos ídolos dos anos 80 que sumiram de repente.

Para quem foi jovem nos anos 80, sintonizado com as músicas, bandas e videoclipes da época, Letra e Música é um bálsamo de comicidade. Todos os detalhes do filme giram em torno de chavões dos anos 80, é um grande revival. O filme é muito divertido, os cabelos, os modelitos são absolutamente perfeitos. Parece que os roteiristas de inspiraram no Duran Duran (que acaba de se apresentar no Rio) e no Wham para fazer o filme.

Ao mesmo tempo o filme faz uma crítica das músicas mais modernas, vazias, sem melodia, enquanto enaltece o estilo, a marca e as letras das músicas dos anos 80.

Vale ver em cinema, em DVD e comprar o DVD.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

007 - Quantum of Solace


Mais um filme de mais longa série da história do cinema. Novamente com Daniel Craig no papel de James Bond, o agente 007.

O filme deixa a desejar e várias marcas importantes foram apagadas em detrimento de um excesso de ação: Daniel Craig não tem o mesmo charme e carisma dos outros 007, o roteiro não explora a qualidade eterna de grand sedutor que todos os outros filmes da série/franquia tinham, a história é fraca, não há um vilão marcante e nem uma bondgirl que se envolve de forma romântica com o mais famoso espião inglês.

Será que a inexistência da guerra fria está dificultando a vida dos expiões do cinema?

É claro que as cenas de ação são muito bem feitas e te deixam tenso, mas ação vazia fica meio chato. E como o filme não mantém características sempre presentes em 007, os fãs podem ficar desapontados. Sem contar que o Daniel Craig, fisicamente, é o pior James Bond de todos os tempos: além de não ter charme e de só fazer bico, o cara é feio demais! Parece um macaco! Depois da classe, da elegância e da beleza de Sean Connery e do Pierce Brosnan, os produtores optaram por um cara bruto, que parece um ogro mal entalhado na pedra. O que será que eles tinham na cabeça? Desestigmatizar o charme e a beleza de Bond? Se for isso, acertaram em cheio!

Judi Dench continua ótima como M. Mas cadê o Q??? Estamos com saudades das invenções loucas!

Vale a pena o aluguel do DVD. Ver no cinema, só pros viciados em 007, dando os devidos descontos ao ator e a história fraca. Os amantes de ação pura irão gostar.

FIC 2008 - Tutta la Vita Davanti

O melhor de todos os filmes que eu vi no FIC2008.

Jovem italiana, que acabou de fazer mestrado, se vê em apuros, precisando de trabalho e de dinheiro. Surge finalmente uma oportunidade para trabalhar como babá. Sua nova "patroa", com quem ela acaba dividindo o apartamento, trabalha num call center que está sempre a procura de novas pessoas. E a jovem mestra consegue um trabalho part time no call center, ganhando 400 euros ao mês.

O call center é o supra-sumo dos clichês de vendas e negócios do mundo, presentes em todos os livros de auto-ajuda/vendas que se pode imaginar: o turno começa com uma música para levantar o astral, a auto-estima e a determinação das telefonistas; são realizadas várias atividades de incentivo (prêmios, treinamentos, etc) e avaliações diárias, com anúncio das melhores. É, na verdade, uma grande lavagem cerebral: nós somos os melhores e se você quer trabalhar conosco, tem que ralar e ganhar pouco, mas aqui você pode crescer.

E há o outro lado: os empregados são explorados, não podem se associar e nenhum sindicato, as competições internas são crueis para os que não atingem as cotas, há horário para tudo e não se pode sequer ir ao banheiro fora do intervalo (de 10 minutos).

Só que a heroína percebe a injustiça desse sistema e entrega a real situação da empresa para o sindicato. Ao mesmo tempo, ela está se sobressaindo na empresa, com sua capacidade e inteligência para "dobrar a resistência das pobres donas-de-casa".

O ritmo das confusões só aumenta: a chefe resolve usá-la como confidente, o sindicalista se insinua para ela e acaba se relacionando com sua colega de casa, o diretor da empres resolve usá-la para conseguir algumas coisas com sua ex-mulher super fútil.

É uma comédia divertidíssima, das melhores, com situações surreais, cheias de surpresas e viradas, com pitadas de romantismo e com uma veia crítica, que expoe a realidade da Italia de hoje, especialmente para os jovens que estão entrando no mercado (não é muito diferente daqui).

Vale o ingresso, vale o aluguel de DVD e vale comprar o DVD. Vamos rezar para que seja lançado no Brasil.

FIC 2008 - First Love

Bonito filme japonês sobre adolescente que está descobrindo sua sexualidade e que está em conflitos por se sentir atraídos por homens.

Ele conhece alguns homens mais velhos gays e finalmente consegue se definir sexualmente.

Bonito, gostoso de ver, bem montado, divertido.

FIC 2008 - Café dos Maestros


Documentário argentino sobre vários músicos e cantores de tango. O documentário acompanha a realização do espetáculo Café de Los Maestros no Teatro Colón - uma grande homenagem ao tango e àqueles que fazem tango há muitas décadas.

Belíssimo filme, muito bem feito. É o Buena Vista do tango. Os que gostam de tango (música e baile) vão adorar o filme, e os que não gostam irão gostar e ficarão curiosos sobre o tango.

Os amantes de música e de tango devem comprar o filme.

FIC 2008 - La Rabia

Mais um da série argentinos pretensiosos e chatos.

Duas famílias moram em localidade rural argentina e têm as vidas entrelaçadas pelos filhos e por eles próprios. É uma história que poderia ser contada em meia hora, mas é arrastada, talvez para nos fazer sentir toda a opressão da realidade daquela gente.

É mais um filme para momentos de introspecção.

FIC 2008 - Derek

Filme sobre a vida e a morte de Derek Jarman, pintor e cineasta inglês, um dos revolucionários do movimento e da cena gay.

O filme é escrito por Tilda Swinton, sua amiga e atriz. No filme Tilda reconta a vida do amigo, desde a infância, passando pela adolescência conturbada, a juventude de descobertas e a maturidade de consolidação da obra.

É interessante, pois fala de coisas que normalmente não saberíamos. O filme é todo entremeado de entrevistas do pintor-cineasta. Para quem gosta da obra dele vale a pena ver. Para quem não conhece é uma boa fonte. Um documentário justo, correto, bem montado.

FIC 2008 - Derek

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

FIC 2008 - Liverpool

Filme autoral, chatérrimo. Sem ação, se fala, sem motivos. Os porquês e objetivos do personagem principal ficam totalmente inexplicados. É um roteiro péssimo, sem início e sem fim. Um filme só de meio. E um meio sem ação e chato.

Passem longe, MUITO longe! Não vale nem baixar da internet.

FIC 2008 - Sad Vacation

Belo filme japonês sobre relacionamentos humanos e suas consequências. Rapaz envolvido com Yakuza resolve mudar de vida e acaba reencontrando sua mãe que o havia abandonado quando era criança e que agora tem outra família e outro filho.

É um filme sensível, bonito. Algumas coisas podem ser difíceis para entendermos, já que a cultura japonesa é muito peculiar, mas é um filme que fala de valores universais.

Vale a pena.

FIc Brasília - Mermaid


Filme russo, conta a história de uma menina que nasceu e foi criada numa cidadezinha à beira mar e que, adolescente, se muda para Moscou. As descobertas dela sobre vida e amor.

A história seria muito graciosa, mas há algo na montagem que estraga o filme. Não sei explicar. Tem um final muito abrupto e cenas que não se relacionam muito bem umas com as outras. A pior de todas é justamente a cena do final do filme, na qual o rapaz está procurando Alissa e a todo momento aparece um carro vermelho, que não faz parte da história. E ao encontrar por acaso com sua namorada, ele desiste de procurar Alissa. Essa é uma demonstração de várias cenas desconexas do filme.

Creio que uma outra montagem melhoraria bastante o filme. Ou será que a lógica dos relacionamento russos é tão difícil os ocidentais entenderem?

Melhor ver em DVD.

FIC 2008 - La Via del Petrolio

É um filme de Bernardo Bertolucci. Mas é um institucional que o diretor fez para a Agip, distribuidora de gasolina italiana.

O filme tem um caráter histórico pois foi feito em 1966, e mostra a rota do petróleo até os centros de refinamento europeus. Porém é tudo tão datado, e a indústria petrolífera do mundo já cresceu tanto, que o filme perde a importância.

Além disso, é um institucional em preto e branco, de linguagem antiga, longo demais. Se fosse re-editado e tivesse uma hora cortada, talvez ficaria mais interessante.

Mas do jeito que está só é interessante para quem tem curiosidade histórica em relação à indústria européia do petróleo.

FIC 2008 - Salvando Jazz


Gracioso documentário sobre fotógrafo que registrou e acompanhou todos os nomes do jazz americano. O fotógrafo Herman Leonard vivia em New Orleans quando o furacão Katrina devastou a cidade. Leonard como tantos moradores fugiu da cidade.

O filme acompanha a volta de Leonard à New Orleans, sua tristeza ao ver a que ficou reduzida a cidade e sua decisão de continuar ali ou não.

É um belo documentário, agradável, onde vemos parte da obra de um grande artista ser destruída pelo clima. Todo montado em cima dos trabalhos de Leonard e ao som de um gostoso jazz. Com entrevistas com vários nomes importantes do cenário atual jazzístico.

Vale a pena ver.

FIC 2008 - Sleep Dealer


Interessante filme Mexicano que conta a história de um rapaz (mexicano) que acidentalmente causa a morte de seu próprio pai com sua curiosidade eletrônica. Após a morte do pai, o rapaz parte para Tijuana em busca de trabalho para poder ajudar economicamente sua família.

Estamos em algum momento do futuro, onde os EUA se fecharam em si mesmos, não aceitam mais imigrantes, dispensaram o trabalhador braçal e os substituíram por máquinas, que são operadas à longa distância pelos operários dos Sleep Dealers mexicanos. Nessas fábricas de trabalho braçal mexicanas, o operários conectam cabos aos seus próprios corpos para operar os robôs que realizam os trabalhos braçais nos Estados Unidos.

Sleep Dealer é uma ficção, que em alguns momentos parece ser inspirada na saga Duna. No livro The Butlerian Jihad é mencionado que no Velho Império as máquinas realizavam todo o trabalho humano, e que para aprimorá-las, o homem foi desenvolvendo cada vez mais a inteligência artificial até que as máquinas pensantes passaram a ter ambições humanas de conquista, poder e expansã0, o que acaba transformando o universo num local de disputa entre homens e máquinas (a história do livro). Os Sleep Dealers são o primeiro passo: as máquinas nos EUA realizam todo o trabalho humano. Se o autor continuar desenvolvendo essa teoria, sem dúvida, ele vai chegar em Duna.

Além do aspecto ficcional do filme, há também uma forte crítica à relação de poder entre Estados Unidos e México: as represas de água que ficam dentro do México são controladas por conglomerados americanos que se veêm no pleno direito de matar mexicanos suspeitos de espionagem ou de sabotagem às represas. Ou seja, no filme, o México pertence aos EUA, "o México e suas reservas importantes são nossas", pensam os americanos do filme. Será que no nosso tempo é muito diferente disso?

O filme é bem feito, tem um roteiro bem amarrado e cumpre corretamente sua aspiração a ficção científica barata. Claro que devemos lembrar que é um filme mexicano e que não tem os mesmos recursos técnicos e financeiros das ficções científicas de Hollywood, o que empobrece a ficção científica, já que vemos poucos elementos dela na telona. Entretanto, os momentos de ficção científica do filme são bem realizados e bastante convincentes.

Vale a pena ver, seja em cinema, seja em DVD (se for lançado no Brasil). Sucesso ao diretor!

domingo, 2 de novembro de 2008

FIC 2008 - Synecdoche, Nova Yorque


Primeiro filme de Charlie Kaufmann.

Diretor de teatro medíocre e hipocondríaco resolve fazer sua grande obra. O filme tem várias estrelas hollywoodianas e começa muito bem, é interessante, parece que se transformará em um filme delicioso sobre as complicações da cabeça do diretor e suas superações. Mas não é nada disso que vemos ao longo das duas insuportáveis horas do filme. Os atores não conseguem salvar o filme, e ficamos cansados de ver um filme vazio, onde os personagens giram em torno de uma peça auto-referente, que não tem começo nem fim, onde ninguém aprende nada e ninguém busca crescer como ser humano e melhorar de vida. Ao contrário, todos afundam, cada vez mais, na loucura e na megalomania do diretor.

Chatíssimo. Tive vontade de sair no meio do filme.

Não percam tempo indo ao cinema, não vale o ingresso. Para os muito curiosos, a dica é alugar o DVD quando sair.

FIC 2008 - Giorni e Nuvole


Belíssimo drama italiano de casal de meia idade que perde sua posição econômica.

A falência econômica do casal os leva a uma nova vida, num local mais simples e ambos têm que se virar para sobreviver. Enquanto a esposa luta para sair daquela situação, o marido se enterra em depressão.

Triste e belo. É outro filme que provavelmente não entrará em cartaz. Vale a pena assistir durante o festival.

FIC 2008 - O Coração


Documentário colombiano sobre equipe de médicos que faz a primeira cirurgia no país para a retirada de um objeto estranho de dentro do coração de um soldado.

Este soldado pisou em uma mina e um estilhaço dela entrou em seu coração, que permaneceu funcionando. Quando foi detectado o pedaço da mina ali, ele foi operado para a retirada do estilhaço. O soldado, pessoa simples e humilde, sobrevive, porém perde seu posto no exército e volta a ter que se virar para sobreviver.

Os médicos falam sobre o coração, suas funções, sua importância na vida do ser humano, falam sobre a cirurgia do soldado, sobre outras pessoas que também têm problemas de coração e sobre seus trabalhos nas emergências dos hospitais colombianos.

É interessante. Como é filme que não será lançado em DVD, é preciso conferir ao longo do festival.

FIC 2008 - Por Un Polvo

Filme venezuelano, de ação. Bastante interessante, a história é divertida, algumas tiradas são muito engraçadas. O filme é bem montado, é dinâmico, como os filmes de ação. Perde um pouco na conclusão: o herói no final do filme resolver tirar o time de campo (num filme de ação?), quebrando assim, nossa empatia com ele.

Vale ver alguns aspectos da cultura venezuelana que são tão parecidos com os nossos.

Um cineasta fracassado e uma ladra de drogas se encontram em determinado momento de suas vidas. Ela já passou por várias situações mirabolantes e ele se vê envolvido nelas.

Vale a pena assistir. É diversão garantida.

FIC 2008 - Uma Mãe Trabalhadora

Simpático e triste documentário boliviano sobre uma mulher que deixa os filhos com os avós e vai morar em Israel para trabalhar.

Marisa trabalha como faxineira em diversos locais, para ganhar uma quantia razoável, que possa enviar para a Bolívia, para que seus pais paguem a educação de seus filhos e construam uma casa para ela.

O período de trabalho que deveria durar 2 anos, se estende e Marisa passa 15 anos em Israel. Quando finalmente volta para a Bolívia, está mudada, encontra seus filhos já crescidos, não consegue manter diálogo com eles e já não consegue viver com a pobreza da vida de sua família na Bolívia. Seus pais não fizeram exatamente o que ela queria com o dinheiro que ela enviava, sua casa ainda não está pronta e Marisa percebe que se afastou dos filhos para lhes dar um futuro melhor, perdeu a convivência com eles e não conseguiu que seus desejos fossem realizados em solo boliviano.

É um filme muito triste, que mostra a dura realidade de imigrantes ilegais em busca de melhores salários fora, para ajudar aos que ficaram. Como Marisa, existem várias pessoas nessa situação no mundo todo, inclusive vários brasileiros. Nos faz refletir sobre a situação de nossos países e dos imigrantes que partem em busca do El Dorado...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

FIC 2008 - Filth and Wisdom


Este é o filme dirigido por Madonna. A cantora usou sua fama (e dinheiro) para fazer um filme independente, que, muita gente deve pensar que é uma porcaria... Pois pasmem: é muito divertido!

O filme é narrado pelo personagem AK, um russo alucinado, aspirante a cantor, que vive de fazer programas S&M exclusivamente com homens, apesar de adorar mulheres. Ao longo dos programas que faz e do seu dia-a-dia, AK nos apresenta sua filosofia de vida, suas crenças sobre o homem, a vida e o conhecimento. Segundo ele, a sabedoria só chega depois que o ser humano conhece a sujeira.

AK é um ser desprovido de valores morais clássicos, ao contrário, ele insiste que devemos nos banhar na sujeira (sujeira para ele é o sub-mundo, a degradação humana) para atingir a sabedoria. Segundo ele, só quem vai ao fundo do poço pode adquirir conhecimento.

Os demais personagens do filme estão todos relacionados com AK de alguma forma, e porque AK os incita a investir na sujeira, eles acabam atingindo a "iluminação" em suas vidas.

Digamos que em sua filosofação, Madonna até faz uma colocação interessante, mas o o que é bom no filme é o entrelaçamento das histórias e as situações inusitadas e surreais pelas quais os personagens passam. É impossível segurar o riso. Acho que ela optou por tratar de um tema complicado (filosofações e submundo) sob uma ótica leve, pitoresca e engraçada, e atingiu bem seu objetivo. Para uma diretora estreante isso é um grande feito.

Claro que existem alguns senões: o filme é muito escuro e o personagem do escritor cego vive uma situação que fica inexplicada ao longo do filme. O espectador consegue entender o que se passa na cabeça e no coração dele, porém já que a diretora apresenta claramente os motivos dos outros personagens, não faz sentido deixar esse "quebra-cabeça" dos problemas deste personagem. De qualquer forma, Madonna merece palmas, porque realizou muito bem sua primeira incursão nas câmeras.

Madonna, claro, não consegue deixar de flertar com o submundo, e explora a temática S&M em AK. Isso pode chocar um pouco algumas mentes mais puritanas, mas sem maiores traumas: é um S&M muito light, com um pé na comicidade, nõ chega nem perto das cenas de S&M que vemos (ou somos induzidos a imaginar) em Law & Order.

Vale a pena ver, é um filme leve, divertido, engraçado. Assistam e se divirtam!
AK, o russo filósofo da sujeira

A Cor das Olivas

Que documentário chato! É mais um daqueles documentários sobre conflitos entre Palestina e Israel... Mas é insuportávelmente lento, não tem diálogos, os poucos que aparecem não estão traduzidos... Que penúria assistir esse filme....

A idéia do documentário é até interessante: a diretora, numa cidadezinha qualquer da Palestina, descobriu uma família cuja casa ficava no meio do muro que separa Israel e a Palestina. E eles não quiseram sair da casa de jeito nenhum. Resultado: a casa ficou no MEIO do muro. Na verdade são dois muros, com um espaço de terra entre eles, a casa da família palestina fica entre esses dois muros. Então é aquele sofrimento para a família poder sair, para o pai ir ao trabalho, para os filhos irem para a escola, porque para eles saírem ou voltarem para casa, eles precisam que os guardas (que nem sempre estão no portão da frente da casa) abram os portões para eles. E muitas vezes são obrigados a esperar horas. Ou seja, os caras estão presos dentro da sua própria casa e terra. Para piorar, ainda há jovens israelenses nos arredores, que gostam de fazer tiro ao alvo de pedras na casa dos infelizes palestinos durante a madrugada.

Acho que esse filme mostra um lado que poucas pessoas percebem (ou querem abordar) quando falam desses conflitos - a teimosia dessa gente. É claro que os conflitos que existem são ruins, é claro que várias vezes os dois lados fazem verdadeiras atrocidades com o rival, mas no fundo, existe uma teimosia milenar de ambas as partes. E o fato dessa família ter ficado morando na casa no MEIO do muro demonstra toda a teimosia (e um pouco de burrice também) deles. Podemos até pensar que é um ato de resistência, mas em momento algum o pai da família declara isso no filme. Ele apenas diz que a terra é deles, que eles são muito ligados à terra e que por isso decidiram não sair de lá. Só tem um detalhe: essa terra deles é grande e se estende para o lado Palestino - por que eles não construíram outra casa no lado palestino e ficaram lá, com paz, tranquilidade, e livres? Ao invés, optaram por ficar presos, em sua própria casa.

É claro que os Amir são um exemplo da mentalidade reinante na região: "a terra é minha há muito tempo e não vou dar (ou vender) pra vocês". Daí passam a viver dependendo do bom humor dos soldados israelenses, que passam pelo portão quando querem, sem uma ronda com hora certa. Ou seja, é uma vida de espera e dependência dos judeus. Me parece que eles também não querem melhorar sua própria (má) sorte e preferem continuar nessa vida de co-dependência dos israelenses. A propósito, eles não falam mal dos israelenses em momento algum, ao contrário, dizem que antes do muro, viviam em harmonia com eles e que eles eram os melhores fregueses deles.

O aspecto da escolha de vida dessa família é a coisa interessante do filme, porém o filme foi muito mal editado, não prende e não emociona o espectador. Acho que a diretora precisa aprender a fazer documentários com a BBC ou com o Discovery Channel...

Existem outros documentários sobre os conflitos que são muito mais agradáveis de serem vistos.

A Liberdade é Azul

Pensem numa pessoa neurótica? Pensou bem? Piore - sem rumo e neurótica... Você chegou à personagem principal de A Liberdade é Azul.
É um bonito filme, mas deixa a desejar... fala da liberdade: qual? De quem? Ninguém pode ser mais livre do que esse personagem - fechado em seu próprio mundo, com dinheiro, sem amarras (talvez só as do passado) e livre para ser e fazer o que quer. E ao mesmo tempo, ela não quer fazer nada... É um filme interessante, porém um pouco difícil de entender.
Do Krzysztof Kieslowski, eu prefiro mesmo o Decálogo.
É um filme interessante, mas deve ser visto num momento de introspecção.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Babe, o Porquinho Atrapalhado na Cidade


Os caras que inventaram Babe conseguiram se superar!

Babe, Pig in the City não é tão comovente quanto Babe, o Porquinho... mas é tão divertido quanto, ou até mais!

Neste filme, o porquinho está todo atrapalhado, mas continua com aquele coração enorme. E na cidade, ele conhece vários outros animais, faz vários outros amigos (e alguns inimigos) e se mete nas maiores confusões.

Os personagens do filme anterior continuam presentes, embora apareçam menos nesse filme, com exceção do pato louco (Ferdinand), cada vez mais engraçado.

Nesse filme, os produtores resolveram investir mais na comicidade da história, então as gargalhadas correm frouxas nesse filme.

É divertidíssimo e não pode faltar na coleção de filmes, ainda mais pra quem tem crianças em casa.

Babe, o Porquinho


LINDO!!! Esse é um dos filmes infantis mais comoventes de todos! O porquinho é foféssimo!É uma história inocente, porém linda.

Todo o filme é bem feito. Os animais que mexem a boca falando, ficam muito graciosos. Os caras da computação gráfica realmente conseguiram fazer uma coisinha de nada parecer muito real... chegamos a ficar na dúvida se eles ensinaram os bichos a mexer a boca...

Vale a pena ver, vale a pena ter o DVD, vale a pena ver com os filhos, vale a pena ver com os amigos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Guerra nas Estrelas - Episódio I e III

George Lucas é mesmo um gênio. De uma história banal, ele fez vários filmes muito legais.

Vamos falar hoje dos filmes da nova geração de Star Wars - A Ameaça Fantasma (episódio I) e Vingança dos Siths (Episódio III).

(Mestre Yoda, totalmente feito em computação gráfica)

Primeiro os dois filmes têm um elenco fantástico, com destaque para Liam Neeson (I) e Ewam McGregor (I a III). Ambos estão muito bem em seus papeis de Jedis. Natalie Portman também está bem.


(Oby Wan - Alec Guiness)

(Oby Wan e Quong Jin) (Oby Wan - Ewn McGregor, a altura de Oby Wan Alec Guinnes)


Sobre os personagens do primeiro episódio, existe uma referência a ser feita, que passa despercebida quase sempre - a decoy da Rainha Amidala é interpretada por uma gordinha (para o que ela está hoje) Keira Knightley. É super divertido ficar procurando saber quando é uma ou outra no papel de Amidala.

(a de trás é Natalie Portman e a da frente, uma irreconhecível Keira Knightley)

Já o terceiros episódio tem um personagem, cujo ator, na minha opinião, foi muito mal escolhido: Anakin Skywalwer/Darth Vader. O garoto é muito fraco. Ele até desempenha bem o papel de dúvida de seu personagem no terceiro episódio, mas ele não tem carisma nenhum, o que reduz sua importância. Nós ficamos muito mais preocupados com Obi Wan do que com Darth Vader.

A produção dos dois filmes é excelente. Infelizmente o roteiro é meio bobo, especialmente do terceiro episódio. Se formos analisar a história, ela é muito fraca, gira muito em torno do romance de Padmé com Anakin, para justificar a transformação do garoto prodígio no mega vilão (o segundo e o terceiro filme, na verdade são a explicação da maldade de Darth Vader). Entretanto, a realização é tão boa, que os filmes acabam se tornando super agradáveis de ver.

É pipocão no mais alto nível. Vale ver e rever.

O Triunfo da Vontade

O Triunfo da Vontade é o filme de Leni Riefenstahl sobre o encontro do partido alemão na época do Hitler (1934). O filme é o máximo em propaganda política. O departamento de propaganda do Reich deve ter indicado todas as cenas, todos os cortes, todas as falas que poderiam aparecer no filme.

Claro que visto hoje, ele gera somente repugnância, porém é impressionante ver a capacidade de Hitler e seus comparsas para mobilizar aquela multidão enorme. Todos queriam participar, queriam ver Hitler, queriam fazer parte daquele movimento de reconstrução (e posterior destruição) alemã. É impressionante ver pessoas de todas as idades, crianças, velhos, jovens, acompanhando tudo o que dizia respeito à Hitler, o comandante supremo do partido.

Algumas tomadas se tornaram clássicas, não sei se elas já existiam antes ou se foi invenção da cineasta alemã. É notável a paixão que ela tem pela beleza, especialmente a beleza masculina. Alguns planos de rapazes são belíssimos, ela usa enquadramentos muito plásticos! Fico só com pena dela ter sido execrada por ter feito filmes para Hitler... afinal, ela tinha seu valor.

Só recomendo que assistam, caso estejam interessados no aspecto histórico, porque o filme é um documentário chato, para nossos padrões atuais e o DVD está muito mal feito - falta legenda, falta dublagem.

Só mesmo com muita curiosidade.

sábado, 18 de outubro de 2008

Na Mira do Chefe

Esse filme seria o estilo inglês de comédias, algo nonsense, divertidíssimo, engraçado, com excelente montagem. Infelizmente o resultado final não corresponde às expectativas.

O filme é lento, o que estraga as tiradas engraçadíssimas entre os personagens (todos com algum grau de bandidagem na veia). Apesar do elenco ser ótimo e dos fantásticos diálogos sobre ética e moral bandida (muito bons!), o filme conseguiu ser destuído pelo ritmo. Como a edição é lenta, você fica na dúvida se a idéia inicial do roteirista e do diretor era fazer uma comédia ou um drama. Os diálogos são hilariantes, mas o ritmo é de drama, de filme sério (e chato)... Ou será que esse ritmo é uma referência (metalinguística, é claro) ao filme europeu (e chato) que está sendo filmado ao longo do filme que vemos? Se foi isso, o diretor extrapolou os limites do entendimento dos seus espectadores e conseguiur "enchatecer" uma comédia que poderia ser um hit, uma espécie de Snatch 2. O que esse diretor tinha na cabeça?

Claro que os atores estão ótimos, não há comentários negativos a fazer aos excelentes Ralph Fiennes, Colin Farrel e o ótimo Brendan Gleeson. Tenho sim, um comentário positivo acerca de Ralph Fiennes: que qualidade é a desse ator que o faz mudar fisicamente entre um filme e outro? São sempre mudanças muito sutis, o cabelo, a boca, mas o cara consegue se transfigurar tanto, que pessoas que já o viram em diversos filmes, simplesmente não percebem que é ele. Na minha opinião, ele é um dos melhores e mais versáteis atores que surgiram no cinema nos últimos anos. Para comprovar isso, basta assistir a Lista de Schidler (ele é o nazista chefe do campo de concentração - Amon Goeth) e Quiz Show (onde ele faz o personagem principal, todo mauricinho, super inteligente e que é corrompido pelo dinheiro fácil).

Na Mira do Chefe é filme pra alugar em DVD e assistir. Mas só recomendo aos que gostam de filmes britânicos, independentes.

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Dirigindo no Escuro

Mais um revival de Woody Allen. Muito bom! É um filme no estilão Allen, com tudo o que tem direito: ele neurótico, divorciado (outro tema recorrente) da mulher mais bonita do filme, convivendo com uma outra mulher que seria "desqualificada" para ele, enfim - Woody Allen clássico.

O roteiro é de chorar de rir: um diretor cinematográfico, hipocondríaco, que está em fins de carreira, recebe uma proposta para dirigir o filme de sua vida, que o elevará novamente à categoria dos melhores diretores do mundo.

O toque Woody Allen do filme pode tirar a graça dele para muitos espectadores, entretanto, existe uma cena antológica, que deveria entrar para a seleção das melhores cenas do diretor: quando ele, cego, vai se encontrar com o produtor, que lhe mostra os cartazes do filme, e ele (Woody, diretor cego) vê o verso do cartaz e faz os comentários mais impressionantes sobre o que está do outro lado e ele não consegue enxergar. O filme vale só por essa cena.

Para os amantes de Woody Allen, é um filme imperdível. Para aqueles que não gostam do diretor americano, vale pela cena do cartaz.

O Fantasma da Ópera

O Fantasma da Ópera é um filme para ser visto e revisto. É extremamente bem produzido, todos os detalhes são de um requinte enorme, os cenários são ricos e super elaborados, o figurino é espetacular, a música é muito bonita (um pouco repetitiva para o meu gosto), os atores estão muito bem.

A história é um romântico-gótico, com vários toques de macabro, que impressiona aos desavisados. Na verdade, a maldade do fantasma chega a assustar em alguns momentos.

O que impressiona mais talvez seja descobrir que quem interpreta o fantasma é o mesmo ator que interpreta Leônidas em 300. A mudança física dele entre esses dois filmes é brutal. Na verdade isso acontece pela maquiagem do Fantasma.

O roteiro é muito bem escrito, o filme é bem dirigido. Alguns momentos destoam, na minha opinião, pois se chocam com o que deveria ser naquele período um evento do estilo. Refiro-me especificamente ao número Mascarade, o baile de máscaras que acontece no teatro. Em teoria, um baile de máscaras era o momento em que o povo "soltava a franga" e fazia tudo aquilo que não tinha coragem de fazer, seria, portanto, o momento mais animado do filme. Entretanto, a escolha estética da coreografia (que seguiu, pelo que entendi, o tom do musical) é lenta, é dura, é estática. Não há alegria, não há liberdade na coreografia. Isso me chamou muito a atenção, na verdade, chegou a me incomodar.

Mas é preciso tirar o chapéu para o Andew Lloyd Webber - as músicas dele ficam entranhadas em nosso subconsciente e não paramos de cantar e lembrar suas melodias.

Vale comprar o DVD.

Quem Disse Que é Fácil?

Quem Disse que É Fácil é um filme argentino, muito simpático. Diversão despretenciosa para quem gosta do cinema porteño.

O filme conta o encontro de Aldo e Andrea. Ele é uma pessoa extremamente metódica e ela doida varrida. E mesmo assim, acontece um romance. Conturbado, é claro!

Os atores estão muito bem, a produção é boa, fotografia honesta. O filme não tem nenhum mérito especial, mas também não tem nenhum demérito. Vale a pena assistir, mas é um bom filme para se deixar para o DVD (se sair em locadora).

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Manhattan

Mais um filme básico de Woody Allen. É de 1979 e já tem a marca neurótica do diretor/ator ao mesmo tempo em que é um tributo a Nova Iorque (e qual filme dele, passado na Big Apple não é um tributo à cidade?). É claro que nele, sua atuação é um pouco mais suave do que nos filmes seguintes, especialmente naqueles onde seu personagem é um totalmente neurótico.

Ele sempre aborda os mesmos temas: divórcio, traições, amizades eternas, neuras. Meryl Streep faz um pequeno papel nele - a ex-mulher que virou lésbica. Como ela era bonita quando mais jovem! E sempre ótima atriz!

Achei interessante notar um aspecto humano da cidade, presente no filme: nessa Nova Iorque de Manhattan, vemos carros de passeio! Ou seja, no final dos anos 70, os novaiorquinos podiam, ainda, possuir veículos! Isso é algo totalmente impensável hoje em dia. Até mesmo nos filmes recentes, passados em NY, só vemos Yellow Cabs nas ruas. Em Manhattan ainda vemos vários automóveis particulares.

A trilha sonora é outro prazer! É toda calcada nos clássicos americanos (Gershwin, Cole Porter) em versões musicadas muito bonitas! O jazz dos anos 40-50 americanos. Uma delícia de ouvir. Aliás, vale comprar a trilha sonora.

Resumindo: para quem gosta do estilo Woody-Neurótico-Allen, com música arrebatadora, é imperdível!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Orgulho e Preconceito

AMEI! Estou apaixonada pelo filme! Estou falando da última refilmagem dele, com Keira Knightley, Donald Sutherland, Brenda Blethyn e Matthew MacFadyen.

A reconstrucão de época é super bem feita: locações (filmaram em vários castelos-museus ingleses), roupas, carruagens, bailes. É uma super produção romântica, baseada num dos principais romances de Jane Austen.

O roteiro foi muito bem escrito e mantém os deliciosos diálogos cínicos, incompletos (que deixam tudo no ar) e complexos da escritora. Os atores foram bem escolhidos e Keira Knightley, apesar de toda a anorexia, está uma graça.

Tudo no filme é bem feito: montagem, música, direção, atuações. O filme nos faz querer vivenciar um pouco aquela vida, daquelas pessoas, naquela época, com todos aqueles jogos de romance que poderiam ou não levar a um casamento (objetivo de todas as moças do século XVIII na Inglaterra). Ou seja, ele realiza com primor o que os acadêmicos do cinema chamam de identificação do espectador: ao assistir esse filme, nós nos identificamos com um ou outro personagem e sentimos as angústias, as frustrações, as alegrias e a felicidade de nosso personagem. Nas duas horas de duração do filme, nós vivemos tudo o que o "nosso" personagem vive na trama.

É uma delícia de filme para quem gosta de romances de época. Para ver, comprar, guardar e rever várias vezes. Excelente.

Broadway Mellody

Gente, que filme é esse? Na contra-capa dizem que é o primeiro musical da Broadway... que horror!

Tudo no filme é mal feito! Os números musicais são super amadores, o enredo é paupérrimo, o roteiro idem e a montagem é péssima (pelo amor de Deus, alguém tinha que ter mandado esse montador fazer aulas com D.W.Griffith, o papa americano da montagem clássica). Eu que adoro musicais e filmes clássicos, achei o filme chatíssimo.

Se nos anos 30, os números musicais da Broadway eram tão ruins, é impressionante a melhora que houve nas décadas seguintes, para o bem da humanidade!

Salva-se a fotografia, que é bonita (lembrando que é um filme de 1929 e é preto e branco). E só.

Não vale gastar dinheiro nenhum com esse filme.

Nem só de cinema...

E não é só de cinema que vivo eu... Além de assistir à vários filmes, tenho assitido também alguns seriados de TV. E gostaria de deixar algumas observações sobre eles.

O primeiro é Heroes - muito bom! Os efeitos especiais são fantásticos. Existem alguns errinhos de continuidade, personagens que somem completamente, mas nada que comprometa muito. O enredo é muito eletrizante e nos estimula pensar que poderiam existir pessoas com aquelas habilidades. Me refiro à primeira temporada, pois é a única que assisti inteira. Assim que puder, comprarei a segunda e farei mais observações.

House - outra série de sucesso. O mais engraçado é ver Hugh Laurie como um ator de segunda categoria (um dos bandidos em Os Dalmátas) e vê-lo agora num personagem principal, super forte. Ele é mais um dos que ficarão marcados para sempre com um personagem. Para todos, Hugh Laurie é e só será House. É claro que ele é um excelente ator. A série é toda bem feita, bem realizada, porém os amigos médicos dizem que as doenças e situações que acontecem naquele hospital são completamente inverossímeis. Mas a série não nos interessa pela Medicina, e sim pelo sarcasmo de House. Vi as três primeiras temporadas inteiras, e minha opinião é de que os roteiristas são muito bons. A série é bem realizada, não me lembro de encontrar erros de continuidade. Se você é do tipo que gosta de humor ácido, vale a pena comprá-la. Veremos como será a quarta temporada completa.

Law & Order (ou em português Lei e Ordem - eca!) - uma das séries de maior sucesso na tv americana, já está no ar há 18 temporadas. Assisti a primeira e a segunda temporadas inteiras. É muito interessante, especialmente para quem gosta de Direito e se interessa pela legislação americana. A série apresenta um pouco do trabalho dos detetives que investigam os crimes e um pouco do trabalho dos procuradores.

Law & Order SVU - Special Victims Unit. - É uma derivação da primeira série. É o Law & Order dedicado à crimes sexuais. Mantém o esquema do original: parte do episódio apresenta o trabalho dos detetives e parte o dos procuradores. Têm as mesmas qualidaes de L&O, entretanto o nível dos crimes é muito maior. São crimes muito pesados. Não é um programa para se assistir diariamente.

Se Meu Apartamento Falasse

Eu continuo fã dos filmes antigos. Se Meu Apartamento falasse é um dos mais interessantes da virada dos anos 50 para os anos 60. Não foi à toa que o filme ganhou o Oscar de Melhor Filme em 1960.

O filme aborda a traição e o divórcio, em meio a uma aparente comédia romântica, graças a atuação de Jack Lemmon e de Shirley MacLaine. O pano de fundo do romance de Billy Wilder é extremamente sério: a dissolução das famílias americanas que acontecem porque os maridos são incapazes de resistir aos atrativos de jovens mulheres solteiras.

A atuação de Jack Lemmon me parece muito próxima à sua interpretação de Jerry/Daphne em Quanto Mais Quente Melhor, o que me cansou um pouco. Entretanto MacLaine esta lindíssima e é uma presença muito agradável no filme.

É um filme para os amantes de comédias românticas antigas.

Batman - O Cavaleiro das Trevas

Segundo filme da série Batman soturno e pura ação, de Christopher Nolan, cujo nome é tirado da série O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller. Apesar do filme não ser tão sangrento quanto a revista, Nolan conseguiu captar a essência do ambiente pesado e violento da Gotham City de Frank Miller.

Costuma-se acreditar que filmes de personagem muito marcante, especialmente se forem super-heróis ou homens-fortes, (Super Homem, Batman, Homem Aranha, Conan, Rambo, Máquina Mortífera) marcam para sempre seus atores, cuja imagem permanece atrelada à do super-herói/homem-forte, limitando assim, as oportunidades de filmes para o ator. Em alguns casos (Stalone talvez seja o mais significativo de todos), o ator só é convidado a fazer filmes de ação. Mas no caso de Christian Bale, que estava completamente sumido do mapa, Batman Begins foi uma oportunidade de ouro, para relançá-lo ao rol das estrelas. E o ator, sem dúvida está se esforçando em sua nova "fantasia".

Se no primeiro filme a cara da Bale como Bruce Wayne/Batman não convencia muito, já que é completamente diferente do rosto do personagem dos quadrinhos, em Batman - O Cavaleiro das Trevas, já foi uma experiência mais agradável. Parece que o moço entendeu que seu rosto não tem nada a ver com o homem morcego e procurou compensar com o corpo, que neste último filme está enorme de musculoso.

Fora isso, a Sra. Tom Cruise não retornou ao elenco como a namoradinha de Wayne e foi substituída pela feiosa (pero simpatica) Maggie Gyllenhaal. O resto do elenco é ótimo e mantém o clima pesado dos quadrinhos.

Não podemos falar do Cavaleiro das Trevas sem falar do falecido Heath Ledger. Realmente o ator se superou nesse filme. Ao contrário de Bale que estava sumido, Ledger estava entrando no ápice da carreira, já tendo sido lançado à qualidade de astro. E acredito eu, o Coringa era exatamente o papel que ele estava esperando para mostrar ao mundo que era realmente um bom ator e não só uma carinha bonita. Apesar de seu papel audacioso como cowboy gay em O Segredo de Brokeback Mountain, ele ainda não tinha tido oportunidade de se distanciar do esteriótipo de rapaz bonito e mostrar ao mundo toda sua capacidade interpretativa. Em Batman - O Cavaleiro das Trevas ele pode fazê-lo. Seu Coringa é fantástico! Ele é neurótico, é dramático, é perverso e cínico, tudo na medida exata de um personagem extremamente mau. O ator se superou, uma pena que ele tenha preferido superar a vida também... Já existem rumores de um possível Oscar póstumo para ele - se acontecer, será muito merecido.

Voltando ao filme: tudo continua ótimo - edição, roteiro, música, muita ação, boas intrigas.

Vale tudo: vale ingresso, vale aluguel de DVD e talvez até a compra do DVD.

Batman Begins

Antes de assistir Batman - O Cavaleiro das Trevas, resolvi conferir Batman Begins, que eu tinha perdido no cinema.
O filme é muito legal, uma super ação. O roteirista e o diretor já tinham começado ali a se inspirar no Cavaleiro das Trevas para escrever o roteiro de Batman Begins. Pode até ser um Batman meio soturno, mas é um excelente filme de ação.
Eu particularmente não gosto muito do Christian Bale, mas é preciso reconhecer que ele se esforçou e até tornou Batman um bichão estranho e simpático. Só não entendi aquela voz metalizada e grave (alguma referência ao vozeirão do Darth Vader?), muito diferente da voz do ator.
O filme é uma superprodução. Está tudo no lugar certo: roteiro, montagem, atores.

Vale cada centavo do aluguel do DVD. É diversão despretenciosa e garantida.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Outra dica pra quem compra DVD pela internet

Dessa vez a dica é para quem compra DVDs via internet na Saraiva. 

Caí novamente no mesmo problema: o DVD veio com defeito. Mas a Saraiva é mais compreensiva do que as Americanas. Eles trocam DVD defeituosos com até 30 dias da compra. Basta ligar, eles te passam as informações todas do envio do DVD para o armazém deles e alguns dias depois, você recebe o novo DVD em casa.

Bem mais simples e mais rápido do que as Americanas. E aproveitem, eles estão com ótimas promoções (Law & Order SVU - 2a temporada a R$ 59,90).

Mamma Mia!

Mamma Mia mesmo!!!!

O filme é uma gostosa diversão, uma grande brincadeira de um bando de atores e equipe. E o resultado é que nós, pobres mortais, vemos um filme leve, divertido, cheio de referências e que recolocou o ABBA no topo das listas européias...

De qualquer forma, o filme vale cada minuto do ingresso só para vermos Pierce Brosnan e Collin Firth vestidos em estilo esquisitíssimo: Brosnan de cabelão, uma roupa super colorida, meio hippie e Firth de metaleiro, todo maquiado e de coleira de metal. É hilário!

Fora isso, o filme é bobinho. Mas é divertido! Diversão leve, recomendada para os quarentões (ou quase) - o pessoal vai lembrar os velhos tempos.

Quem quiser deixar para ver no DVD é uma boa pedida também.


Sumiço Total

Pessoal,

Desculpem o sumiço total do blog... Esses últimos meses foram cheios de viagens, trabalhos, eventos. Não consegui atualizar nada!

Mas prometo que vou me redimir e vou colocar os último filmes que vi. E isso, começa hoje!

Inté!

terça-feira, 6 de maio de 2008

O Homem de Ferro

Pipocão de nível! O filme é muito legal! Eu nem sabia que personagem era o Homem de Ferro, não tinha idéia da história, mas me diverti horrores! Vale a pena!

Claro que a história original do desenho foi transposta para os dias atuais. Assim, os vietcongs se transformam em afegãs. Mas nada afeta o filme.

Não sei como os amantes do desenho irão encarar essas mudanças, mas o filme é ótimo.

O engraçado é ver o baixinho Robert Downey Jr no papel daquele homem de ferro enorme! Mas isso não atrapalha em nada. O ator está muito bem nesse filme. O curioso é que ele andava sumidíssimo e foi chamado justamente para fazer um filme pipocão, que foge um pouco do seu estilo. Mas fez bem demais, assim seu rosto volta rapidamente às mentes dos espectadores.

Claro que o filme é cheio de efeitos, todos muito bem feitos. Mas o incrível é que eles são tão bem feitos, que você nem se dá conta de que são efeitos.

Pipocão clássico: cheio de efeitos especiais, explosões, história legal, bastante adrenalina.

Vale a pena ver. É diversão pura!

O Sonho de Cassandra

Alguém pode me explicar essa atual paixão de Woody Allen por Londres?

O Sonho de Cassandra é mais um filme da série londrina do diretor nova-iorquino. Mas esse infelizmente não tem uma trama tão envolvente como os últimos dois. Na verdade, a trama é muito boa, mas seu desfecho é abrupto e sem drama.

Existe uma tensão, que o diretor não explora. Ela simplesmente se desfaz, num gesto à toa de um personagem. Acho que nesse ponto, Allen errou a mão. O filme é legal, mas esse final mal-acabado tira a graça.

Apesar disso, a situação criada ao redor dos dois irmãos é muito interessante.

Dica para os compradores de DVD

Quero deixar essa dica para aqueles que costumam comprar DVDs pela internet. Especialmente para quem compra pelas Americanas.com:

É a segunda vez em 6 meses que eu compro um DVD nas Americanas que está com defeito. O DVD congela durante o filme, trava a imagem, um horror. Da outra vez, não consegui trocar, porque só fui ver o filme meses depois de comprar. Mas dessa vez, vi logo.

Muito bem: nesses casos, as Americanas só aceitam devolução do produto até 15 dias após a entrega. E é preciso anexar a cópia da Nota Fiscal. Se vocês não tiverem mais, basta solicitar que seja enviado um espelho da Nota Fiscal por email. Façam isso logo, não esperem para reclamar, senão se perde o prazo. E nem por defeito, as Americanas faz a troca.

Filmes de Fred Astaire - Meias de Seda

Silk Stokings (Meias de Seda) é um musical feito no final dos anos 50, quando os musicais estavam perdendo seu brilho, devido à televisão. Mas é divertidíssimo.

Fred Astaire está bem mais velho do que estamos acostumados a ver, e contracena com Cyd Charisse e suas belas pernas. Realmente a mulher era mais bailarina do que atriz. Ela não tem nada demais como atriz, nem beleza estonteante, nem força, mas quando dança.... tudo o que está em volta dela morre. Só vemos a bailarina.

E as coreografias desse filme são muito boas. A coreografia no apartamento russo, que é totalmente moderna, é divertidíssima.

E a história, o romance, é muito fofo. Outro dos filmes inesquecíveis.

Coleção Audrey Hepburn - Um Clarão nas Trevas

Neste filme, Audrey interpreta uma moça que ficou cega há pouco tempo e que ainda está se adaptando à sua nova realidade. Isso faz com que ela seja extremamente insegura e medrosa.

E nesse meio entram alguns ladrões barra pesada, cheios de idéias e disfarces mirabolantes, para reaver uma boneca que uma pessoa havia entregue ao marido de Audrey.

É um grande suspense. Do estilo antigo, sem muitos sustos, com pouca música, mas é muito bom. Tudo é bem feito. E nós nos sentimos enclausurados naquele espaço único do apartamento onde ela vive.

Muito bom. A interpretação de Audrey é muito boa.

domingo, 27 de abril de 2008

Do Passado - Um Pijama para Dois

Este filme com Doris Day é um delicioso musical, com todos os elementos de uma comédia romântica. As músicas são excelentes, os números musicais mantém o espírito do filme, as músicas entram em momentos adequados. Além disso, o elenco é ótimo, valendo a observação para a gordona, fantástica e engraçadíssima.

O filme é muito agradável, bem realizado e tem algumas cenas picantes para a Hollywood década de 50, especialmente no piquenique da fábrica de pijamas onde as moças dançam e aparecem suas calcinhas cheias de babados (que mais parecem shortinhos). Fico me perguntando se na década de 50 aquele tipo de evento era tão libertino e ao mesmo tempo tão inocente quando o que aparece no filme...

Vale a pena ver, é divertido. Especialmente para quem gosta de musical.

terça-feira, 22 de abril de 2008

O Escorpião de Jade

Hilário! Dessa vez Woody Allen acertou em cheio! Todos os personagens são super bem elaborados. Os diálogos do filme são pérolas de humor e sarcasmo.

Fora esses elogios, é um filme de Woody Allen, com poucos cenários, ótimos atores, uma montagem correta e muito jazz. E dessa vez o personagem de Allen é menos neurótico do que em seus outros filme, o que é um alívio, de certa forma.

É um filme para quem gosta e para quem não gosta de Woody Allen. Divertido do começo ao fim.

Mar Adentro

Finalmente, depois de anos, consegui ver Mar Adentro.

É um filme interessante, bem realizado, com uns delírios muito legais (do personagem de Javier Bardem). Mas é um filme sério, muito sério. Se o espectador estiver querendo assistir algo leve, esse não é o filme!

É um filme bonito, que trata de um assunto muito delicado: a eutanásia. A história do homem que há 30 anos vive sobre uma cama, paraplégico, e que resolveu terminar seus dias dignamente (através da morte), é tocante. Porém é um filme lento, que não dirige o espectador às lágrimas.

Aliás, é muito interessante observar, ao ver Mar Adentro, que o cinema europeu se distancia do americano ao tratar de temas delicados da vida humana. Se Mar Adentro fosse um filme hollywoodiano, ele seria certamente manipularia os espectadores para tocar seus corações e levá-los às lágrimas. Mar Adentro não é assim. Todos que assistem o filme ficam interessados nas colocações do personagem Ramón. O filme chega a nos levar a torcer por Ramón. Mas apesar desse aparente envolvimento com o "herói", o espectador continua à parte. O filme tem essa qualidade de manter o espectador à distância. É como se Mar Adentro tivesse sido feito somente para apresentar ao espectador a realidade das pessoas que vivem em condições como as de Ramón. E enquanto apresenta a situação da vida dessas pessoas, deixa o espectador livre para chegar às suas próprias conclusões sobre a eutanásia, de acordo com seus padrões éticos e morais. O filme é baseado em fatos reais, ou seja, é um prato cheio para a realização de um dramalhão. Mas apesar disso e de apresentar todo o drama vivido por Ramón o filme não manipula o espectador.

Javier Bardem está muito bem como o ancião paralítico. Realmente é um grande ator, que consegue representar somente com seu rosto.

Vejam, mas num dia em que estejam introspectivos, preocupados com o destino da humanidade.

Viver e Morrer em Los Angeles

Gente, que filme chato! O filme é metido demais, a ser um super filme de ação, mas de ação não tem praticamente nada. É lento demais. O que vale é ver a cara do Williem Dafoe novinho. Fora isso, o filme é chato.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Cenas de Um Shopping

Esse é o Woody Allen que não é de Woody Allen! Apesar de ser com ele.

O filme é divertido: os sabores e dissabores de um dia, que deveria ser especial, na vida de um casal que está junto já há muito tempo. É engraçado ver a neurose de Allen alimentado pela complacência e "compreensão" de sua esposa psicóloga.

Os diálogos são inacreditáveis. Como filme é bem realizado, fico portanto, sem comentários.

Para quem gosta de Woody Allen e seu personagem característico é um prato cheio.

A Testemunha

Novamente filmes dos anos 80, dessa vez com Harrison Ford.

A Testemunha é um bom filme de suspense, porém com uma dose talvez excessiva de acúcar amoroso. Mas é um filme agradável de se ver. Nada demais, vale o aluguel em vídeo.

A Família Addams 2

Revendo novamente os filmes do passado (dessa vez um passado não muito distante, porém).

O filme é muito macabro! Macabro do tipo engraçado. Esse é o tipo de filme que vale a pena ver, especialmente aqueles que gostam de humor negro.

Notei uma coisa em relação ao personagem de Angelica Houston (Morticia Addams): há sempre um faixo de luz sobre seus olhos, marcando-os ainda mais. Diga-se de passagem, parece que ela nasceu para fazer esse personagem!

Filme divertido, despretencioso, com uma história bobinha, mas divertida.

Ponto de Vista

Pipocão maneiríssimo!!! Muito legal mesmo! A trama é ótima! A ação é muito boa também. O filme te deixa eletrizado do começo ao fim.

A edição é muito bem sacada. Realmente o diretor, o roteirista e o editor foram muito criativos. O filme é diversão pura. Eu não dava nada por ele, saí do cinema super empolgada.

Vejam! Recomendo!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Musicais do passado - Hello Dolly

Hello Dolly conta com Barbara Streisand novinha. Uma graça e um vozeirão!

O filme é o remake nas telas de um sucesso da Broadway e é dirigido por Gene Kelly, o grande dançarino dos anos 50 de Hollywood. Mas, apesar de todo o brilho e maestria de Gene Kelly e das múltiplas possibilidades de Ms. Streisand, o filme é chato.

A história é simpática, mas seu desenrolar é abrupto. As cenas de música são excessivas e muito longas, o que cansa o espectador. Os dois personagens acessórios masculinos, são dois bailarinos (facilmente identificáveis pelo tipo físico) que cantam super mal e têm vários números cantados (não entendi onde Mr. Kelly queria chegar!). Quando La Streisand canta, o mundo se ilumina, mas quanto todos os demais cantam e dançam dá vontade de chorar.

Walter Matthau cantando e dançando? Péssimo! Parece que a marca de Matthau eram os tipos rabugentos, e seu personagem desse filme, apesar de cantar e dançar, não é uma exceção!

Acho que o grande momento do filme é quando Dolly volta à seu night club favorito e é recebido como uma rainha. Nessa hora se canta Hello Dolly, nessa hora aparece Louis Armstrong. Vale a pena enfrentar o filme só por essa cena espetacular de dança e canto.

As músicas são maravilhosas, mas o filme em si não. Deixa muito a desejar a seus antecessores, como Cantando na Chuva, My Fair Lady, Noviça Rebelde. Nem sempre essas adaptações que Hollywood fazia dos musicais da Broadway davam certo. Esse não é tão ruim quanto O Rei e Eu, mas também não é nenhuma obra-prima. Não sei porque, mas aposto que o musical da Broadway era muito melhor do que o filme é.

Se você não é do tipo que gosta de musicais e nem se sente arrebatado por cenas de dança (pelo menos as coreografias do filme são boas), não veja. Vai se cansar à toa. Para os amantes de boa dança, é recomendável.

Paixão de Ocasião e Beijando Jessica Stein

Vou falar dos dois filmes juntos porque comprei um DVD que tem os dois filmes.

Nunca tinha visto Paixão de Ocasião. É aquela típica comédia romântica, da workaholic que fica obcecada por um homem e não vê que seu príncipe encantado está a seus pés, totalmente à sua disposição. A mulher se enfia numa trama enroladíssima por causa de trabalho, envolvendo o tal príncipe encantado. É um filme totalmente água com açúcar, bom para ver num dia de chuva, enroladinho no cobertor com o gatinho, totalmente descompromissado.

Beijando Jessica Stein é um filme que envelheceu. Quando o vi pela primeira vez, ri horrores. Me diverti com a situação da protagonista que não consegue um namorado e acaba com uma namorada. Mas dessa vez que o assisti, achei um filminho água com açucar, meio bobinho. Como curiosidade vale a pena ver Jessica Stein, a pessoa mais travada para relacionamentos que eu já vi no cinema americano!

Reedição de Oscar Passado - As Invasões Bárbaras

Grande crítica ao sistema público de saúde canadense. O filme é muito divertido. Quem tem uma verve um pouco mais intelectual, vai adorar as discussões intelectuais dos atores. É algo tão abstrato, tão fora da nossa realidade cotidiana atual.

É um filme que, no fundo, fala de amor: amor dos pais pelos filhos, dos filhos pelos pais, das pessoas pela vida, dos amigos uns pelos outros. É a decadência física de um deles, que os leva à união, à superação em conjunto, e especialmente para o filho, o redescobrimento de quem era o pai, do carinho e do amor paterno, e do carinho e amor que ele sente pelo pai.

O filho é um chato, duro, não sorri nunca. Mas é capaz de gestos de carinho: apesar de todo o rancor, sai de Londres e vai para o Canadá ficar ao lado do pai nos seus últimos dias. Faz isso pela mãe, é claro, mas acaba vendo que foi o melhor que fez por si próprio e pelo velho doente.

É um filme muito bonito e comovente, com as pitadas de humor intelectualóide. Claro que é um filme bem feito tecnicamente, então não tenho comentários a esse respeito.

Vejam!

Curtindo a Vida Adoidado - Volta aos anos 80

Curtindo a Vida Adoidado é aquele filme que todo mundo viu com Matthew Broderick. Por causa desse filme todos juravam que ele se transformaria num grande ator cinematográfico. Que nada! O cara tinha um forte pé no teatro e assim se manteve. De fato, pouco após esse filme, ele se afastou de vez do cinema e tem se dedicado exclusivamente à Broadway.

Voltando ao filme: é um barato! As loucuras de um adolescente totalmente careless, que nasceu com o bumbum para a lua. Tudo na vida do garoto dá certo, para desgraça de sua irmã e de seu melhor amigo, que se mete em altas enrascadas com o sortudo de plantão.

O garoto nasceu político e morrerá político. Ele apronta todas, mas quando quer, e para quem interessa, sabe se portar como um santo. As coisas que ele apronta são engraçadíssimas e inacreditáveis, mas é um filme para adolescente, que curtimos muito mais na adolescência do que na vida adulta. Depois que a gente entra nessa fase séria da vida (vida adulta), sabe que tudo aquilo é uma grande curtição do descompromisso adolescente, que hoje, jamais poderíamos fazer. Mas seria bom se todos tivéssemos tido, quando adolescentes, um dia de Ferris Bueller! Acho que nos sentiríamos melhores adultos!

Vale a pena ver! Muito divertido!

Volta ao passado - Íntimo e Pessoal

Eu até hoje não entendi muito bem o porquê desse filme. Acho que foi porque o diretor queria uma história onde ele pudesse colocar juntos, na mesma tela, dois belos astros: Robert Redford e Michele Pfeiffer.

O filme é um dramalhão, que conta a trajetória de uma aspirante a reporter de sucesso, que é apadrinhada por um ex-grande repórter, que está meio encalhado numa estação local de TV (em Miami), numa situação de diretor do jornal local ou algo do gênero. Parece que a mesmice e o comodismo se apoderaram do sujeito.

Já a mulher é o oposto dele: ela é a encarnação viva da ambição. Pelo menos é ambição com uma boa dose de humildade, que permite que ela aprenda com ele e que ele goste de ensinar os meandros da profissão para a bela moça. Claro que ela começa lá de baixo e vai conseguindo galgar pequenos degraus nos primeiros momentos. Até que começa a deslanchar na carreira.

No decorrer da ascensão dela, eles se casam, o cara vira o sombra dela, o que o deixa perturbado. E ele resolver se redescobrir, se reinventar, e parte em vôo solo, para se colocar em pé de igualdade com sua esposa famosa. É uma catástrofe total.

O filme é bonito, agradável, mas não é nada além disso. É um filme superficial, com uma história banal. Poderia ser fantástico, mas falta algo. É bem feito, bem realizado, os dois estão super bonitos (acho que é o último filme em que Redford ainda podia ser chamado de um belo homem), mas é só isso. A história é pobre e talvez o aspecto interessante seja ver um pouquinho dos bastidores dos telejornais.

Totalmente passável.

Recuperando o atraso 2 - Lua de Papel

Depois da leva de filmes antigos que eu comprei em DVD, pelo visto vou passar um tempo só falando deles. Se preparem.

Lua de Papel é uma graça! O filme deu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante a Tatum O'Neal (exatamente, a filha de Ryan O'Neal, que faz seu suposto pai no filme). E ela está mesmo uma graça. O filme é delicioso, engraçadinho. Aquele filme agradável de se ver, despretensioso, divertido.

Ele, como sempre, lindo, faz o papel de um espertalhão que vê sua vida cruzada pela filha de uma de suas antigas namoradas. A filha não tem pai, e se parece muito com ele. Ele, querendo dar uma de bom cidadão, resolve ajudar a menina e levá-la até a casa da tia. Só que no desenrolar do filme, vamos descobrindo (e ele também) que a menina é muito mais esperta do que ele, que ela é muito mais trambiqueira do que ele e que tem todas as qualidades para ser realmente sua filha.

Se desenvolve entre os dois uma relação de amor e ódio, marcada basicamente por essa trambicagem mútua. É delicioso de ver. Alguns momentos são hilários e a menina é um espécime raro.

Recomendo.

Recuperando o atraso - Muito Além do Jardim

Gente, estou super atrasada com os DVDs que ando vendo. Vou começar com um que vi já tem umas 3 semanas, mas que me esqueci completamente de comentar: Muito Além do Jardim.

É o filme com Peter Sellers, se não me engano é seu último filme. O cara se apaixonou tanto pela história do livro O Videota, que comprou os direitos do filme. Parece que foi a meta da vida de Sellers: fazer esse filme.

O filme é muito interessante, mostra como o ser humano interpreta o que o outro diz, sem se aprofundar. Sem contar a parte do sujeito que só conhece o mundo pela televisão (Sellers), e que devido à interpretação que os outros dão ao que ele fala, acaba com fama de um homem de inteligência brilhante, quando de fato é um Zé Mané.

É um personagem ao mesmo tempo completamente idiota e angelical. Fiquei com a sensação no fim do filme de que ele na verdade é um anjo que foi enviado à vida daquelas pessoas para ajustar alguns pequenos detalhes. O final do filme é de muita delicadeza.

Não dá para comentar nada em termos técnicos. O filme é todo bem feito. Sellers está absolutamente fantástico.

Vale a pena ver, mas não esperem risadas.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Celebridades

Celebridades era na minha opinião um dos filmes mais chatos de Woody Allen. Até que o revi semana passada. Dessa vez achei o filme uma deliciosa paródia da vida das estrelas e dos aspirantes a estrela. Fiquei impressionada com a quantidade de famosos que participam do filme, em papeis totalmente secundários.

O filme não segue uma linha de história muito precisa. São várias historietas que se intercalam, sem um final propriamente dito, mostrando o que os ilustres fazem pela fama. É engraçado, mas um pouco árido para quem o vê pela primeira vez ou para quem não gosta muito de Woody Allen.

Cinderela em Paris

Eu, como boa fã da Audrey Hepburn, estou completando minha coleção de DVDs de seus filmes. Minha última aquisição foi Cinderela em Paris (Funny Face), com Fred Astaire.

O filme é fofo, e nele ela canta de verdade, ao contrário da sacanagem que fizeram com a pobre em My Fair Lady. Claro que a voz dela é suave demais, falta força, falta brilho. Mas tem um quê de sinceridade insuperável e que teria caído muito melhor à personagem de My Fair Lady do que aquele vozeirão que canta, mas que fica óbvio que não é de Audrey.

Mas voltando a Cinderela em Paris: o filme conta a descoberta, por um fotógrafo (Astaire) de uma belíssima livreira metida a filósofa. Ele tenta transformá-la em uma modelo, e seus esforços são quase em vão. No meio tempo, temos belíssimas cenas de Paris e arredores, vários números musicais. E as discrepâncias entre o meio filosófico e o meio típico americano são hilárias. Quando Astaire e sua editora vão ao antro do filósofo "empatialista" e precisam se apresentar aos demais convidados, eles fazem uma performance típica dos grandes espetáculos/filmes americanos, totalmente contrária às performances introspectivas da tchurma "empatialista".

As coreografias "empatialistas" são moderníssimas. E a dança de Astaire em frente ao balcão de Audrey é magnífica. Mostra toda a habilidade do grande dançaarino-ator-cantor. O homem era um gênio, dançava com tudo, fazia de qualquer elemento de cena um auxílio para mostrar sua maestria. E nesse filme ele está bem mais velho, suas danças são poucas e muito delicadas, sem exageros para seu físico, talvez já não tão enérgico quanto antes. Por isso, no filme esse é o grande número de Astaire.

As coreografias de Audrey ou de Astaire com Audrey são bem mais simples. Não me pareceu que quiseram explorar as habilidades dela como bailarina. Então temos a sensação de que ela é uma bailarina-dançarina muito inferior a Astaire, o que deve ser pouco provável, já que ela veio do ballet para as telas.

Mas o filme é agradável. As coreografias modernas fogem um pouco ao padrão do musical hollywoodiano, e beiram o chato às vezes, especialmente a coreografia de Audrey no café "empatialista". Mas mesmo assim o filme continua sendo muito agradável.

A culpa é do Fidel

O filme é divertidíssimo! Para uma primeira incursão pelo cinema (que eu sabia, não pesquisei), a filha do Costa Gavras é ótima diretora. O filme é bem feito, é gostoso, divertido, triste e alegre ao mesmo tempo. Acho que todos irão gostar.

O filme conta as repercursões da mudança de vida dos pais de uma menina francesa, que decidem abandonar a vida tradicional, de um trabalho tradicional, para se enveredar por um caminho mais esquerdista, em defesa de valores humanitários e políticos mais justos. Claro que tem uma doideiras que não fazem sentido (o advogado hispano-francês que vai ajudar o povo do Chile), mas é um retrato fiel dos filhos burgueses que resolvem se engajar na luta política, típico do final dos anos 1960, começo dos anos 1970.

As perguntas que a menina faz para todos são impagáveis! "Você é barbudo vermelho?", "Nós estamos pobres porque viramos comunistas?"

Vale a pena, demais demais! E Julie Gavras mantém a postura politica do pai, só que por outra visão. Não a visão de quem quer transformar, mas sim pela visão inocente de uma criança que tem sua vida transformada (para pior) por causa dos ideais de seus pais. Engraçado ver que ela tem uma postura aparentemente diferente da do pai. Mas a escola foi ótima e o filme é maravilhoso!

sexta-feira, 28 de março de 2008

Um Assassino à Solta

Esse filme de 1997 com Dennis Quaid e Danny Glover é um excelente filme de suspense. Vi por acaso, numa reprise na TV e me encantei com o filme. Me prendeu do início ao fim. Gosto de filmes assim, que me deixam ligada.

E o mais interessante é que como o assassino em questão está sempre viajando, vemos ângulos inusitados dos EUA, que não veríamos se não fosse o filme, como serras nevadas, nevascas que fecham estradas e causam engarrafamentos quilométricos. Além da trama ser muito boa, o filme ainda nos apresenta esse outro lado dos EUA pouco visto, das cidades pequenas, das ferrovias, da realidade das pessoas que vivem nessas cidades e trabalham em locais inóspitos e frios como os que vemos no filme.

É um bom pipocão com curiosidades que valem o ingresso ou no caso, o aluguel do DVD.

Na Natureza Selvagem


Sean Penn devia ter descoberto que é um excelente diretor há mais tempo! Ele perdeu muito tempo fazendo papeizinhos de quinta em filmes de baixo apelo e interesse. E desde que se tornou diretor, tem surpreendido seus espectadores.

Na Natureza Selvagem conta a história verídica do jovem Chris McCandless, ou Alex Supertramp (codinome que o rapaz inventou para mascarar sua real identidade) que resolve abandonar a vida de classe média-alta americana e sai desbravando os EUA, sem lenço nem documento (literalmente) e sem dinheiro também. É a piração total de um jovem rapaz em busca do sentido da vida e de si mesmo. E o mais fantástico é que ele, em meio ao Alasca, acaba se descobrindo e encontrando o sentido da vida dele, mas aí já é tarde demais, e seu destino já estava traçado.

Fiquei curiosa para ler o livro de John Krakauer. Segundo soube, o filme não entra em aspectos que são tratados pelo livro, como o fato de Chris/Alex ter ido para o Alasca totalmente despreparado. A pesquisa de Krakauer parece ter sido bem extensa.

Mas isso não importa, o filme é ótimo. Ficamos num estado de aventura muito legal, e padecemos junto com nosso herói. O jovem ator Emile Hirsch, sósia moreno do Leonardo di Caprio, é muito bom ator e já havia demonstrado suas qualidades em Alpha Dog. Mas realmente em Na Natureza Selvagem, ele se supera, afinal o filme é praticamente só ele. Os demais personagens aparecem rapidamente. De qualquer forma vale a menção de que o rapaz escolhe bem seus personagens e poderia ser um Selton Mello americano, já que gosta de personagens atípicos.

A direção de Penn é muito boa, vai chegar o Oscar de Melhor Diretor para ele. Um dia chegará.

A produção, a reconstituição é muito boa também. Parece que a equipe de produção de arte se esmerou para acertar todos os detalhes da vida do andarilho Chris/Alex.

Minha recomendação: Vejam!

quarta-feira, 19 de março de 2008

O Último Rei da Escócia

Só tive a oportunidade de ver o filme no Telecine. Tenho um certo receio com filmes que tratam de temas africanos, acho parte deles muito folclóricos e outros um tanto pretenciosos. Por isso acabo evitando vê-los no cinema.

Entretanto o filme é muito interessante. Mostra a ditadura de Idi Amim na Uganda, através de um jovem médico escocês que foi para lá prestar trabalhos humanitários e acabou sendo seduzido pelo conforto dos ricos e poderoso que lhe foi oferecido pelo presidente. As aspirações humanitárias caem inteiramente por terra quando o conforto e o luxo aparecem.

A partir daí vemos o escocês envolvido diretamente e diariamente com o Presidente Amim, sem conseguir perceber o que realmente existe ao redor desse homem. Todas as facetas estão ali, diante dele, e o jovem inocente (ou burro?) escocês não consegue ver nada. Está completamente cego pela amizade que tem com o presidente. Parece que sua habilidade de raciocinar acabou na primeira noite na capital ugandense.

As situações que o escocês passa são inacreditáveis, o supra-sumo da inocência (ou burrice). Como é que alguém pode se meter no seio da podridão Ugandense e não perceber o que acontece bem diante de seus olhos? E cada vez mais ele piora sua situação.

A atuação de Forrest Whitaker como Idi Amim é realmente fantástica. Foi um merecidíssimo Oscar de Melhor Ator.

Além disso, foi muito agradável ver que o jovem médico é interpretado pelo excelente James McAvoy, o mesmo que fez Robie Tunner em Desejo e Reparação.

Vale a pena ver, mas preparem-se, porque nos revolta ver a quantidade de burrices que o escocês "inocente" comete.

Os Oscarizáveis - Parte 5 - Elizabeth: a Era de Ouro

Como o anterior Elizabeth, esse novo filme de Shekhar Kapur, novamente com Cate Blanchet no papel da Rainha Elizabeth I, é um espetáculo de cores, de figurino e cenografia.

Cate está muito bem novamente, em mais uma encarnação de Elizabeth, merecedora do Oscar (uma pena que ela não o tenha recebido). Mas a trama deixa muito a desejar. O roteiro é pobre. Ele oscila entre a vida amorosa da Rainha Virgem e sua vida política enquanto tenta costurar as relações que existiam entre esses dois aspectos do dia-a-dia da rainha inglesa. São assuntos profundos e difíceis, claro que entrelaçados, entretanto a forma como essa relação foi conduzida não foi bem realizada. E o filme acaba ficando confuso demais.

A fotografia é belíssima, os figurinos são fantásticos, pena que o filme valha a pena somente pela plasticidade e não pelo conjunto total da obra.