Que documentário chato! É mais um daqueles documentários sobre conflitos entre Palestina e Israel... Mas é insuportávelmente lento, não tem diálogos, os poucos que aparecem não estão traduzidos... Que penúria assistir esse filme....
A idéia do documentário é até interessante: a diretora, numa cidadezinha qualquer da Palestina, descobriu uma família cuja casa ficava no meio do muro que separa Israel e a Palestina. E eles não quiseram sair da casa de jeito nenhum. Resultado: a casa ficou no MEIO do muro. Na verdade são dois muros, com um espaço de terra entre eles, a casa da família palestina fica entre esses dois muros. Então é aquele sofrimento para a família poder sair, para o pai ir ao trabalho, para os filhos irem para a escola, porque para eles saírem ou voltarem para casa, eles precisam que os guardas (que nem sempre estão no portão da frente da casa) abram os portões para eles. E muitas vezes são obrigados a esperar horas. Ou seja, os caras estão presos dentro da sua própria casa e terra. Para piorar, ainda há jovens israelenses nos arredores, que gostam de fazer tiro ao alvo de pedras na casa dos infelizes palestinos durante a madrugada.
Acho que esse filme mostra um lado que poucas pessoas percebem (ou querem abordar) quando falam desses conflitos - a teimosia dessa gente. É claro que os conflitos que existem são ruins, é claro que várias vezes os dois lados fazem verdadeiras atrocidades com o rival, mas no fundo, existe uma teimosia milenar de ambas as partes. E o fato dessa família ter ficado morando na casa no MEIO do muro demonstra toda a teimosia (e um pouco de burrice também) deles. Podemos até pensar que é um ato de resistência, mas em momento algum o pai da família declara isso no filme. Ele apenas diz que a terra é deles, que eles são muito ligados à terra e que por isso decidiram não sair de lá. Só tem um detalhe: essa terra deles é grande e se estende para o lado Palestino - por que eles não construíram outra casa no lado palestino e ficaram lá, com paz, tranquilidade, e livres? Ao invés, optaram por ficar presos, em sua própria casa.
É claro que os Amir são um exemplo da mentalidade reinante na região: "a terra é minha há muito tempo e não vou dar (ou vender) pra vocês". Daí passam a viver dependendo do bom humor dos soldados israelenses, que passam pelo portão quando querem, sem uma ronda com hora certa. Ou seja, é uma vida de espera e dependência dos judeus. Me parece que eles também não querem melhorar sua própria (má) sorte e preferem continuar nessa vida de co-dependência dos israelenses. A propósito, eles não falam mal dos israelenses em momento algum, ao contrário, dizem que antes do muro, viviam em harmonia com eles e que eles eram os melhores fregueses deles.
O aspecto da escolha de vida dessa família é a coisa interessante do filme, porém o filme foi muito mal editado, não prende e não emociona o espectador. Acho que a diretora precisa aprender a fazer documentários com a BBC ou com o Discovery Channel...
Existem outros documentários sobre os conflitos que são muito mais agradáveis de serem vistos.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
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