sexta-feira, 31 de outubro de 2008

FIC 2008 - Filth and Wisdom


Este é o filme dirigido por Madonna. A cantora usou sua fama (e dinheiro) para fazer um filme independente, que, muita gente deve pensar que é uma porcaria... Pois pasmem: é muito divertido!

O filme é narrado pelo personagem AK, um russo alucinado, aspirante a cantor, que vive de fazer programas S&M exclusivamente com homens, apesar de adorar mulheres. Ao longo dos programas que faz e do seu dia-a-dia, AK nos apresenta sua filosofia de vida, suas crenças sobre o homem, a vida e o conhecimento. Segundo ele, a sabedoria só chega depois que o ser humano conhece a sujeira.

AK é um ser desprovido de valores morais clássicos, ao contrário, ele insiste que devemos nos banhar na sujeira (sujeira para ele é o sub-mundo, a degradação humana) para atingir a sabedoria. Segundo ele, só quem vai ao fundo do poço pode adquirir conhecimento.

Os demais personagens do filme estão todos relacionados com AK de alguma forma, e porque AK os incita a investir na sujeira, eles acabam atingindo a "iluminação" em suas vidas.

Digamos que em sua filosofação, Madonna até faz uma colocação interessante, mas o o que é bom no filme é o entrelaçamento das histórias e as situações inusitadas e surreais pelas quais os personagens passam. É impossível segurar o riso. Acho que ela optou por tratar de um tema complicado (filosofações e submundo) sob uma ótica leve, pitoresca e engraçada, e atingiu bem seu objetivo. Para uma diretora estreante isso é um grande feito.

Claro que existem alguns senões: o filme é muito escuro e o personagem do escritor cego vive uma situação que fica inexplicada ao longo do filme. O espectador consegue entender o que se passa na cabeça e no coração dele, porém já que a diretora apresenta claramente os motivos dos outros personagens, não faz sentido deixar esse "quebra-cabeça" dos problemas deste personagem. De qualquer forma, Madonna merece palmas, porque realizou muito bem sua primeira incursão nas câmeras.

Madonna, claro, não consegue deixar de flertar com o submundo, e explora a temática S&M em AK. Isso pode chocar um pouco algumas mentes mais puritanas, mas sem maiores traumas: é um S&M muito light, com um pé na comicidade, nõ chega nem perto das cenas de S&M que vemos (ou somos induzidos a imaginar) em Law & Order.

Vale a pena ver, é um filme leve, divertido, engraçado. Assistam e se divirtam!
AK, o russo filósofo da sujeira

A Cor das Olivas

Que documentário chato! É mais um daqueles documentários sobre conflitos entre Palestina e Israel... Mas é insuportávelmente lento, não tem diálogos, os poucos que aparecem não estão traduzidos... Que penúria assistir esse filme....

A idéia do documentário é até interessante: a diretora, numa cidadezinha qualquer da Palestina, descobriu uma família cuja casa ficava no meio do muro que separa Israel e a Palestina. E eles não quiseram sair da casa de jeito nenhum. Resultado: a casa ficou no MEIO do muro. Na verdade são dois muros, com um espaço de terra entre eles, a casa da família palestina fica entre esses dois muros. Então é aquele sofrimento para a família poder sair, para o pai ir ao trabalho, para os filhos irem para a escola, porque para eles saírem ou voltarem para casa, eles precisam que os guardas (que nem sempre estão no portão da frente da casa) abram os portões para eles. E muitas vezes são obrigados a esperar horas. Ou seja, os caras estão presos dentro da sua própria casa e terra. Para piorar, ainda há jovens israelenses nos arredores, que gostam de fazer tiro ao alvo de pedras na casa dos infelizes palestinos durante a madrugada.

Acho que esse filme mostra um lado que poucas pessoas percebem (ou querem abordar) quando falam desses conflitos - a teimosia dessa gente. É claro que os conflitos que existem são ruins, é claro que várias vezes os dois lados fazem verdadeiras atrocidades com o rival, mas no fundo, existe uma teimosia milenar de ambas as partes. E o fato dessa família ter ficado morando na casa no MEIO do muro demonstra toda a teimosia (e um pouco de burrice também) deles. Podemos até pensar que é um ato de resistência, mas em momento algum o pai da família declara isso no filme. Ele apenas diz que a terra é deles, que eles são muito ligados à terra e que por isso decidiram não sair de lá. Só tem um detalhe: essa terra deles é grande e se estende para o lado Palestino - por que eles não construíram outra casa no lado palestino e ficaram lá, com paz, tranquilidade, e livres? Ao invés, optaram por ficar presos, em sua própria casa.

É claro que os Amir são um exemplo da mentalidade reinante na região: "a terra é minha há muito tempo e não vou dar (ou vender) pra vocês". Daí passam a viver dependendo do bom humor dos soldados israelenses, que passam pelo portão quando querem, sem uma ronda com hora certa. Ou seja, é uma vida de espera e dependência dos judeus. Me parece que eles também não querem melhorar sua própria (má) sorte e preferem continuar nessa vida de co-dependência dos israelenses. A propósito, eles não falam mal dos israelenses em momento algum, ao contrário, dizem que antes do muro, viviam em harmonia com eles e que eles eram os melhores fregueses deles.

O aspecto da escolha de vida dessa família é a coisa interessante do filme, porém o filme foi muito mal editado, não prende e não emociona o espectador. Acho que a diretora precisa aprender a fazer documentários com a BBC ou com o Discovery Channel...

Existem outros documentários sobre os conflitos que são muito mais agradáveis de serem vistos.

A Liberdade é Azul

Pensem numa pessoa neurótica? Pensou bem? Piore - sem rumo e neurótica... Você chegou à personagem principal de A Liberdade é Azul.
É um bonito filme, mas deixa a desejar... fala da liberdade: qual? De quem? Ninguém pode ser mais livre do que esse personagem - fechado em seu próprio mundo, com dinheiro, sem amarras (talvez só as do passado) e livre para ser e fazer o que quer. E ao mesmo tempo, ela não quer fazer nada... É um filme interessante, porém um pouco difícil de entender.
Do Krzysztof Kieslowski, eu prefiro mesmo o Decálogo.
É um filme interessante, mas deve ser visto num momento de introspecção.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Babe, o Porquinho Atrapalhado na Cidade


Os caras que inventaram Babe conseguiram se superar!

Babe, Pig in the City não é tão comovente quanto Babe, o Porquinho... mas é tão divertido quanto, ou até mais!

Neste filme, o porquinho está todo atrapalhado, mas continua com aquele coração enorme. E na cidade, ele conhece vários outros animais, faz vários outros amigos (e alguns inimigos) e se mete nas maiores confusões.

Os personagens do filme anterior continuam presentes, embora apareçam menos nesse filme, com exceção do pato louco (Ferdinand), cada vez mais engraçado.

Nesse filme, os produtores resolveram investir mais na comicidade da história, então as gargalhadas correm frouxas nesse filme.

É divertidíssimo e não pode faltar na coleção de filmes, ainda mais pra quem tem crianças em casa.

Babe, o Porquinho


LINDO!!! Esse é um dos filmes infantis mais comoventes de todos! O porquinho é foféssimo!É uma história inocente, porém linda.

Todo o filme é bem feito. Os animais que mexem a boca falando, ficam muito graciosos. Os caras da computação gráfica realmente conseguiram fazer uma coisinha de nada parecer muito real... chegamos a ficar na dúvida se eles ensinaram os bichos a mexer a boca...

Vale a pena ver, vale a pena ter o DVD, vale a pena ver com os filhos, vale a pena ver com os amigos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Guerra nas Estrelas - Episódio I e III

George Lucas é mesmo um gênio. De uma história banal, ele fez vários filmes muito legais.

Vamos falar hoje dos filmes da nova geração de Star Wars - A Ameaça Fantasma (episódio I) e Vingança dos Siths (Episódio III).

(Mestre Yoda, totalmente feito em computação gráfica)

Primeiro os dois filmes têm um elenco fantástico, com destaque para Liam Neeson (I) e Ewam McGregor (I a III). Ambos estão muito bem em seus papeis de Jedis. Natalie Portman também está bem.


(Oby Wan - Alec Guiness)

(Oby Wan e Quong Jin) (Oby Wan - Ewn McGregor, a altura de Oby Wan Alec Guinnes)


Sobre os personagens do primeiro episódio, existe uma referência a ser feita, que passa despercebida quase sempre - a decoy da Rainha Amidala é interpretada por uma gordinha (para o que ela está hoje) Keira Knightley. É super divertido ficar procurando saber quando é uma ou outra no papel de Amidala.

(a de trás é Natalie Portman e a da frente, uma irreconhecível Keira Knightley)

Já o terceiros episódio tem um personagem, cujo ator, na minha opinião, foi muito mal escolhido: Anakin Skywalwer/Darth Vader. O garoto é muito fraco. Ele até desempenha bem o papel de dúvida de seu personagem no terceiro episódio, mas ele não tem carisma nenhum, o que reduz sua importância. Nós ficamos muito mais preocupados com Obi Wan do que com Darth Vader.

A produção dos dois filmes é excelente. Infelizmente o roteiro é meio bobo, especialmente do terceiro episódio. Se formos analisar a história, ela é muito fraca, gira muito em torno do romance de Padmé com Anakin, para justificar a transformação do garoto prodígio no mega vilão (o segundo e o terceiro filme, na verdade são a explicação da maldade de Darth Vader). Entretanto, a realização é tão boa, que os filmes acabam se tornando super agradáveis de ver.

É pipocão no mais alto nível. Vale ver e rever.

O Triunfo da Vontade

O Triunfo da Vontade é o filme de Leni Riefenstahl sobre o encontro do partido alemão na época do Hitler (1934). O filme é o máximo em propaganda política. O departamento de propaganda do Reich deve ter indicado todas as cenas, todos os cortes, todas as falas que poderiam aparecer no filme.

Claro que visto hoje, ele gera somente repugnância, porém é impressionante ver a capacidade de Hitler e seus comparsas para mobilizar aquela multidão enorme. Todos queriam participar, queriam ver Hitler, queriam fazer parte daquele movimento de reconstrução (e posterior destruição) alemã. É impressionante ver pessoas de todas as idades, crianças, velhos, jovens, acompanhando tudo o que dizia respeito à Hitler, o comandante supremo do partido.

Algumas tomadas se tornaram clássicas, não sei se elas já existiam antes ou se foi invenção da cineasta alemã. É notável a paixão que ela tem pela beleza, especialmente a beleza masculina. Alguns planos de rapazes são belíssimos, ela usa enquadramentos muito plásticos! Fico só com pena dela ter sido execrada por ter feito filmes para Hitler... afinal, ela tinha seu valor.

Só recomendo que assistam, caso estejam interessados no aspecto histórico, porque o filme é um documentário chato, para nossos padrões atuais e o DVD está muito mal feito - falta legenda, falta dublagem.

Só mesmo com muita curiosidade.

sábado, 18 de outubro de 2008

Na Mira do Chefe

Esse filme seria o estilo inglês de comédias, algo nonsense, divertidíssimo, engraçado, com excelente montagem. Infelizmente o resultado final não corresponde às expectativas.

O filme é lento, o que estraga as tiradas engraçadíssimas entre os personagens (todos com algum grau de bandidagem na veia). Apesar do elenco ser ótimo e dos fantásticos diálogos sobre ética e moral bandida (muito bons!), o filme conseguiu ser destuído pelo ritmo. Como a edição é lenta, você fica na dúvida se a idéia inicial do roteirista e do diretor era fazer uma comédia ou um drama. Os diálogos são hilariantes, mas o ritmo é de drama, de filme sério (e chato)... Ou será que esse ritmo é uma referência (metalinguística, é claro) ao filme europeu (e chato) que está sendo filmado ao longo do filme que vemos? Se foi isso, o diretor extrapolou os limites do entendimento dos seus espectadores e conseguiur "enchatecer" uma comédia que poderia ser um hit, uma espécie de Snatch 2. O que esse diretor tinha na cabeça?

Claro que os atores estão ótimos, não há comentários negativos a fazer aos excelentes Ralph Fiennes, Colin Farrel e o ótimo Brendan Gleeson. Tenho sim, um comentário positivo acerca de Ralph Fiennes: que qualidade é a desse ator que o faz mudar fisicamente entre um filme e outro? São sempre mudanças muito sutis, o cabelo, a boca, mas o cara consegue se transfigurar tanto, que pessoas que já o viram em diversos filmes, simplesmente não percebem que é ele. Na minha opinião, ele é um dos melhores e mais versáteis atores que surgiram no cinema nos últimos anos. Para comprovar isso, basta assistir a Lista de Schidler (ele é o nazista chefe do campo de concentração - Amon Goeth) e Quiz Show (onde ele faz o personagem principal, todo mauricinho, super inteligente e que é corrompido pelo dinheiro fácil).

Na Mira do Chefe é filme pra alugar em DVD e assistir. Mas só recomendo aos que gostam de filmes britânicos, independentes.

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Dirigindo no Escuro

Mais um revival de Woody Allen. Muito bom! É um filme no estilão Allen, com tudo o que tem direito: ele neurótico, divorciado (outro tema recorrente) da mulher mais bonita do filme, convivendo com uma outra mulher que seria "desqualificada" para ele, enfim - Woody Allen clássico.

O roteiro é de chorar de rir: um diretor cinematográfico, hipocondríaco, que está em fins de carreira, recebe uma proposta para dirigir o filme de sua vida, que o elevará novamente à categoria dos melhores diretores do mundo.

O toque Woody Allen do filme pode tirar a graça dele para muitos espectadores, entretanto, existe uma cena antológica, que deveria entrar para a seleção das melhores cenas do diretor: quando ele, cego, vai se encontrar com o produtor, que lhe mostra os cartazes do filme, e ele (Woody, diretor cego) vê o verso do cartaz e faz os comentários mais impressionantes sobre o que está do outro lado e ele não consegue enxergar. O filme vale só por essa cena.

Para os amantes de Woody Allen, é um filme imperdível. Para aqueles que não gostam do diretor americano, vale pela cena do cartaz.

O Fantasma da Ópera

O Fantasma da Ópera é um filme para ser visto e revisto. É extremamente bem produzido, todos os detalhes são de um requinte enorme, os cenários são ricos e super elaborados, o figurino é espetacular, a música é muito bonita (um pouco repetitiva para o meu gosto), os atores estão muito bem.

A história é um romântico-gótico, com vários toques de macabro, que impressiona aos desavisados. Na verdade, a maldade do fantasma chega a assustar em alguns momentos.

O que impressiona mais talvez seja descobrir que quem interpreta o fantasma é o mesmo ator que interpreta Leônidas em 300. A mudança física dele entre esses dois filmes é brutal. Na verdade isso acontece pela maquiagem do Fantasma.

O roteiro é muito bem escrito, o filme é bem dirigido. Alguns momentos destoam, na minha opinião, pois se chocam com o que deveria ser naquele período um evento do estilo. Refiro-me especificamente ao número Mascarade, o baile de máscaras que acontece no teatro. Em teoria, um baile de máscaras era o momento em que o povo "soltava a franga" e fazia tudo aquilo que não tinha coragem de fazer, seria, portanto, o momento mais animado do filme. Entretanto, a escolha estética da coreografia (que seguiu, pelo que entendi, o tom do musical) é lenta, é dura, é estática. Não há alegria, não há liberdade na coreografia. Isso me chamou muito a atenção, na verdade, chegou a me incomodar.

Mas é preciso tirar o chapéu para o Andew Lloyd Webber - as músicas dele ficam entranhadas em nosso subconsciente e não paramos de cantar e lembrar suas melodias.

Vale comprar o DVD.

Quem Disse Que é Fácil?

Quem Disse que É Fácil é um filme argentino, muito simpático. Diversão despretenciosa para quem gosta do cinema porteño.

O filme conta o encontro de Aldo e Andrea. Ele é uma pessoa extremamente metódica e ela doida varrida. E mesmo assim, acontece um romance. Conturbado, é claro!

Os atores estão muito bem, a produção é boa, fotografia honesta. O filme não tem nenhum mérito especial, mas também não tem nenhum demérito. Vale a pena assistir, mas é um bom filme para se deixar para o DVD (se sair em locadora).

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Manhattan

Mais um filme básico de Woody Allen. É de 1979 e já tem a marca neurótica do diretor/ator ao mesmo tempo em que é um tributo a Nova Iorque (e qual filme dele, passado na Big Apple não é um tributo à cidade?). É claro que nele, sua atuação é um pouco mais suave do que nos filmes seguintes, especialmente naqueles onde seu personagem é um totalmente neurótico.

Ele sempre aborda os mesmos temas: divórcio, traições, amizades eternas, neuras. Meryl Streep faz um pequeno papel nele - a ex-mulher que virou lésbica. Como ela era bonita quando mais jovem! E sempre ótima atriz!

Achei interessante notar um aspecto humano da cidade, presente no filme: nessa Nova Iorque de Manhattan, vemos carros de passeio! Ou seja, no final dos anos 70, os novaiorquinos podiam, ainda, possuir veículos! Isso é algo totalmente impensável hoje em dia. Até mesmo nos filmes recentes, passados em NY, só vemos Yellow Cabs nas ruas. Em Manhattan ainda vemos vários automóveis particulares.

A trilha sonora é outro prazer! É toda calcada nos clássicos americanos (Gershwin, Cole Porter) em versões musicadas muito bonitas! O jazz dos anos 40-50 americanos. Uma delícia de ouvir. Aliás, vale comprar a trilha sonora.

Resumindo: para quem gosta do estilo Woody-Neurótico-Allen, com música arrebatadora, é imperdível!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Orgulho e Preconceito

AMEI! Estou apaixonada pelo filme! Estou falando da última refilmagem dele, com Keira Knightley, Donald Sutherland, Brenda Blethyn e Matthew MacFadyen.

A reconstrucão de época é super bem feita: locações (filmaram em vários castelos-museus ingleses), roupas, carruagens, bailes. É uma super produção romântica, baseada num dos principais romances de Jane Austen.

O roteiro foi muito bem escrito e mantém os deliciosos diálogos cínicos, incompletos (que deixam tudo no ar) e complexos da escritora. Os atores foram bem escolhidos e Keira Knightley, apesar de toda a anorexia, está uma graça.

Tudo no filme é bem feito: montagem, música, direção, atuações. O filme nos faz querer vivenciar um pouco aquela vida, daquelas pessoas, naquela época, com todos aqueles jogos de romance que poderiam ou não levar a um casamento (objetivo de todas as moças do século XVIII na Inglaterra). Ou seja, ele realiza com primor o que os acadêmicos do cinema chamam de identificação do espectador: ao assistir esse filme, nós nos identificamos com um ou outro personagem e sentimos as angústias, as frustrações, as alegrias e a felicidade de nosso personagem. Nas duas horas de duração do filme, nós vivemos tudo o que o "nosso" personagem vive na trama.

É uma delícia de filme para quem gosta de romances de época. Para ver, comprar, guardar e rever várias vezes. Excelente.

Broadway Mellody

Gente, que filme é esse? Na contra-capa dizem que é o primeiro musical da Broadway... que horror!

Tudo no filme é mal feito! Os números musicais são super amadores, o enredo é paupérrimo, o roteiro idem e a montagem é péssima (pelo amor de Deus, alguém tinha que ter mandado esse montador fazer aulas com D.W.Griffith, o papa americano da montagem clássica). Eu que adoro musicais e filmes clássicos, achei o filme chatíssimo.

Se nos anos 30, os números musicais da Broadway eram tão ruins, é impressionante a melhora que houve nas décadas seguintes, para o bem da humanidade!

Salva-se a fotografia, que é bonita (lembrando que é um filme de 1929 e é preto e branco). E só.

Não vale gastar dinheiro nenhum com esse filme.

Nem só de cinema...

E não é só de cinema que vivo eu... Além de assistir à vários filmes, tenho assitido também alguns seriados de TV. E gostaria de deixar algumas observações sobre eles.

O primeiro é Heroes - muito bom! Os efeitos especiais são fantásticos. Existem alguns errinhos de continuidade, personagens que somem completamente, mas nada que comprometa muito. O enredo é muito eletrizante e nos estimula pensar que poderiam existir pessoas com aquelas habilidades. Me refiro à primeira temporada, pois é a única que assisti inteira. Assim que puder, comprarei a segunda e farei mais observações.

House - outra série de sucesso. O mais engraçado é ver Hugh Laurie como um ator de segunda categoria (um dos bandidos em Os Dalmátas) e vê-lo agora num personagem principal, super forte. Ele é mais um dos que ficarão marcados para sempre com um personagem. Para todos, Hugh Laurie é e só será House. É claro que ele é um excelente ator. A série é toda bem feita, bem realizada, porém os amigos médicos dizem que as doenças e situações que acontecem naquele hospital são completamente inverossímeis. Mas a série não nos interessa pela Medicina, e sim pelo sarcasmo de House. Vi as três primeiras temporadas inteiras, e minha opinião é de que os roteiristas são muito bons. A série é bem realizada, não me lembro de encontrar erros de continuidade. Se você é do tipo que gosta de humor ácido, vale a pena comprá-la. Veremos como será a quarta temporada completa.

Law & Order (ou em português Lei e Ordem - eca!) - uma das séries de maior sucesso na tv americana, já está no ar há 18 temporadas. Assisti a primeira e a segunda temporadas inteiras. É muito interessante, especialmente para quem gosta de Direito e se interessa pela legislação americana. A série apresenta um pouco do trabalho dos detetives que investigam os crimes e um pouco do trabalho dos procuradores.

Law & Order SVU - Special Victims Unit. - É uma derivação da primeira série. É o Law & Order dedicado à crimes sexuais. Mantém o esquema do original: parte do episódio apresenta o trabalho dos detetives e parte o dos procuradores. Têm as mesmas qualidaes de L&O, entretanto o nível dos crimes é muito maior. São crimes muito pesados. Não é um programa para se assistir diariamente.

Se Meu Apartamento Falasse

Eu continuo fã dos filmes antigos. Se Meu Apartamento falasse é um dos mais interessantes da virada dos anos 50 para os anos 60. Não foi à toa que o filme ganhou o Oscar de Melhor Filme em 1960.

O filme aborda a traição e o divórcio, em meio a uma aparente comédia romântica, graças a atuação de Jack Lemmon e de Shirley MacLaine. O pano de fundo do romance de Billy Wilder é extremamente sério: a dissolução das famílias americanas que acontecem porque os maridos são incapazes de resistir aos atrativos de jovens mulheres solteiras.

A atuação de Jack Lemmon me parece muito próxima à sua interpretação de Jerry/Daphne em Quanto Mais Quente Melhor, o que me cansou um pouco. Entretanto MacLaine esta lindíssima e é uma presença muito agradável no filme.

É um filme para os amantes de comédias românticas antigas.

Batman - O Cavaleiro das Trevas

Segundo filme da série Batman soturno e pura ação, de Christopher Nolan, cujo nome é tirado da série O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller. Apesar do filme não ser tão sangrento quanto a revista, Nolan conseguiu captar a essência do ambiente pesado e violento da Gotham City de Frank Miller.

Costuma-se acreditar que filmes de personagem muito marcante, especialmente se forem super-heróis ou homens-fortes, (Super Homem, Batman, Homem Aranha, Conan, Rambo, Máquina Mortífera) marcam para sempre seus atores, cuja imagem permanece atrelada à do super-herói/homem-forte, limitando assim, as oportunidades de filmes para o ator. Em alguns casos (Stalone talvez seja o mais significativo de todos), o ator só é convidado a fazer filmes de ação. Mas no caso de Christian Bale, que estava completamente sumido do mapa, Batman Begins foi uma oportunidade de ouro, para relançá-lo ao rol das estrelas. E o ator, sem dúvida está se esforçando em sua nova "fantasia".

Se no primeiro filme a cara da Bale como Bruce Wayne/Batman não convencia muito, já que é completamente diferente do rosto do personagem dos quadrinhos, em Batman - O Cavaleiro das Trevas, já foi uma experiência mais agradável. Parece que o moço entendeu que seu rosto não tem nada a ver com o homem morcego e procurou compensar com o corpo, que neste último filme está enorme de musculoso.

Fora isso, a Sra. Tom Cruise não retornou ao elenco como a namoradinha de Wayne e foi substituída pela feiosa (pero simpatica) Maggie Gyllenhaal. O resto do elenco é ótimo e mantém o clima pesado dos quadrinhos.

Não podemos falar do Cavaleiro das Trevas sem falar do falecido Heath Ledger. Realmente o ator se superou nesse filme. Ao contrário de Bale que estava sumido, Ledger estava entrando no ápice da carreira, já tendo sido lançado à qualidade de astro. E acredito eu, o Coringa era exatamente o papel que ele estava esperando para mostrar ao mundo que era realmente um bom ator e não só uma carinha bonita. Apesar de seu papel audacioso como cowboy gay em O Segredo de Brokeback Mountain, ele ainda não tinha tido oportunidade de se distanciar do esteriótipo de rapaz bonito e mostrar ao mundo toda sua capacidade interpretativa. Em Batman - O Cavaleiro das Trevas ele pode fazê-lo. Seu Coringa é fantástico! Ele é neurótico, é dramático, é perverso e cínico, tudo na medida exata de um personagem extremamente mau. O ator se superou, uma pena que ele tenha preferido superar a vida também... Já existem rumores de um possível Oscar póstumo para ele - se acontecer, será muito merecido.

Voltando ao filme: tudo continua ótimo - edição, roteiro, música, muita ação, boas intrigas.

Vale tudo: vale ingresso, vale aluguel de DVD e talvez até a compra do DVD.

Batman Begins

Antes de assistir Batman - O Cavaleiro das Trevas, resolvi conferir Batman Begins, que eu tinha perdido no cinema.
O filme é muito legal, uma super ação. O roteirista e o diretor já tinham começado ali a se inspirar no Cavaleiro das Trevas para escrever o roteiro de Batman Begins. Pode até ser um Batman meio soturno, mas é um excelente filme de ação.
Eu particularmente não gosto muito do Christian Bale, mas é preciso reconhecer que ele se esforçou e até tornou Batman um bichão estranho e simpático. Só não entendi aquela voz metalizada e grave (alguma referência ao vozeirão do Darth Vader?), muito diferente da voz do ator.
O filme é uma superprodução. Está tudo no lugar certo: roteiro, montagem, atores.

Vale cada centavo do aluguel do DVD. É diversão despretenciosa e garantida.