
Este é um daqueles filmes-fábulas difíceis de resistir. A partir de um conto de F. Scott Fitzgerald, o roteiro de Eric Roth e Robin Swicord conta a história de Benjamin Button, um bebê que, na década de 1910 nasce velho e vai rejuvenescendo a medida que cresce.
O menino-velho, por ser criado em New Orleans, por uma negra que cuida de uma casa de idosos, possui uma sensibilidade e uma compaixão pelos mais velhos que só os poucos que convivem com idosos conseguem ter. Benjamin respeita os mais velhos e entende sua situação.
Ainda criança, ele se apaixona pela neta de uma das hóspedes da casa. Conforme vai crescendo e rejuvenescendo, Benjamin vai se tornando cada vez mais curioso em relação ao mundo. E aos 17 anos, com cara de um senhor de 60 anos, parte em sua viagem pelo mundo. Ele trabalha em um rebocador, conhece os mares asiáticos, assiste à guerra, conhece a Russia, se envolve com uma mulher mais velha e finalmente, retorna à casa.

Reencontra sua paixão infantil, que se tornou uma bela bailarina (Cate Blanchet) em carreira ascendente e procura se relacionar com ela. Após várias situações, rejeições e acidentes, eles começam uma vida a dois. Permanecem juntos enquanto a situação dele permite.
Quando têm uma filha, ele entende que não poderá ficar por perto muito tempo, já que a menina não irá entender um pai que está cada dia mais jovem. Benjamin parte.
É uma bela história de amor incondicional de um ser humano pelo outro, passado em meio a uma fantasia incrível do homem que nasceu velho e que morreu jovem. Ele nasce bebê e morre bebê. Talvez este seja o desejo de muitas pessoas, daí o sucesso de público do filme.

Apesar desse possível apelo sentimental, o filme é extremamente bem realizado. Brad Pitt e Cate Blanchet estão muito bem, as reconstruções de épocas diferentes ao longo do século XX são muito boas, a edição é boa, a trilha sonora é boa, a direção é boa.
Mas é um filme que foge aos padrões básicos de Hollywood. Nele não existem picos de ação nem de emoção, ele é um filme que segue seu caminho calmo e tranquilo do início ao fim, assim como a visão do mundo - pacífica e resignada - de Benjamin.
É um filme para ser saboreado e apreciado em todas as suas sutilezas.
Vale ver no cinema, vale comprar o DVD.

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